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Delator diz que entregou R$ 10 milhões em caixa dois para campanha de Temer

09/12/2016 19:49 -02
EVARISTO SA via Getty Images
Brazilian President Michel Temer attends the presentation of the Brazil Merit Award for Public Management at the Brazilian Court of Audit in Brasilia on November 29, 2016. A Brazilian opposition party on Monday filed a petition for the impeachment of President Michel Temer, underlining the growing difficulties facing the center-right leader as he tries to introduce austerity reforms. The impeachment demand filed by the PSOL, a small leftist party, was unlikely to be accepted, so had mostly symbolic significance. The PSOL argues that Temer committed crimes by allegedly interfering in a business dispute to aid a friend in his cabinet. Temer denies any wrongdoing in the affair. / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

O ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho disse ter entregue dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral para a campanha de 2014 de Michel Temer no escritório de advocacia de José Yunes, amigo e conselheiro próximo do presidente, de acordo com o BuzzFeed.

Segundo relato do executivo a investigadores da Lava Jato, o dinheiro era parte dos R$ 10 milhões acertados por Temer e Marcelo Odebrecht em um jantar em maio de 2014, junto com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. O encontro foi revelado em reportagem da Veja, em agosto.

Segundo o delator, R$ 4 milhões ficariam com Padilha, responsável pela distribuição do dinheiro entre outras campanhas do partido. Os outros R$ 6 milhões seriam para a campanha de Paulo Skaf, presidente da Fiesp e candidato do PMDB ao governo de São Paulo em 2014.

Yunes foi tesoureiro do PMDB em São Paulo e, hoje, é assessor especial de Temer no Palácio do Planalto.

O secretário de Comunicação da Presidência, Márcio Freitas, negou a acusação de caixa dois. "Esse dinheiro jamais foi entregue no escritório de José Yunes. Ele não arrecadou para aquela campanha. Os recursos solicitados (por Temer) foram doados e declarados à Justiça Eleitoral", afirmou ao jornal O Globo.

O envolvimento de Yunes com Temer já foi citado outras vezes na Lava Jato. Em uma das perguntas endereçadas ao presidente no processo que é acusado de receber propina para intermediar a venda de um campo seco de petróleo no Benin para a Petrobras, o ex-deputado Eduardo Cunha levanta suspeita de suposto caixa dois negociado entre os dois.

"O sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB, de forma oficial ou não declarada ?", indaga Cunha.

O questionamento, contudo, foi vetado pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, junto com outras 20 perguntas. Isso porque Temer está fora do escopo da investigação em primeira instância.

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