NOTÍCIAS

Campanha ‘Estou bem' incentiva britânicos a serem mais honestos sobre saúde mental

09/12/2016 17:49 -02 | Atualizado 09/12/2016 17:49 -02

hiding depression illustration

Se alguém lhe perguntar como você está se sentindo, quantas vezes você dá uma resposta honesta?

Um estudo com 2 mil adultos, encomendado pela Mental Health Foundation, revelou que o adulto britânico médio irá dizer “estou bem” 14 vezes por semana, embora em apenas 19% das vezes a resposta seja sincera.

Quase um terço dos entrevistados disse que muitas vezes mente sobre como estão se sentindo para outras pessoas, enquanto um em cada dez disse que sempre mente sobre seu estado emocional.

A organização divulgou os números com um comovente vídeo (em inglês) destacando a necessidade de usar uma linguagem mais aberta ao discutir nosso bem-estar emocional e saúde mental.

fingir

“Muitas vezes vejo que tenho que fingir em minha vida.”

A pesquisa também revelou que 75% dos britânicos têm dificuldade em expressar suas emoções.

O estudo mostrou que os homens são duas vezes mais propensos a não ser sinceros em relação às suas emoções, com 22% deles admitindo que sempre mentem sobre como se sentem, em comparação a 10% das mulheres.

As mulheres, no entanto, são mais propensas a sofrerem emocionalmente: 41% disseram ter se arrependido de se abrir para alguém no passado, em relação a 29% dos homens.

Os dados reforçam uma pesquisa recente da organização CALM, como parte do projeto do The Huffington Post UK “Building Modern Men” (Construindo Homens Modernos), que mostrou que 67% das mulheres que se identificaram como “muito deprimidas” haviam conversado com alguém sobre como se sentiam, comparadas a apenas 55% dos homens.

Ao comentar os resultados, Jenny Edwards, presidente da Mental Health Foundation, destacou que 59% das pessoas esperam que a resposta seja uma mentira quando perguntam a outros: “Como você está se sentindo?”.

“Embora possa parecer que a maioria de nós fique feliz discutindo abertamente sentimentos, os resultados desta pesquisa revelam que muitos de nós estamos apenas seguindo um roteiro”, disse.

“Isso cria uma ilusão de apoio. Na superfície, estamos sempre perguntando como os outros estão, mas, no fundo, muitos de nós nos sentimos incapazes de dizer como realmente estamos nos sentindo”, acrescentou.

sentir

“Acho que como me sinto afeta outras pessoas em minha vida.”

Entre os que revelaram que regularmente dizem a outros que “estão bem”, um terço deles (34%) afirmaram que o termo é mais conveniente do que explicar como realmente se sentem.

Ao mesmo tempo, um quarto (23%) das pessoas dizem a frase porque acreditam que a pessoa que está perguntando não está realmente interessada.

Em termos de atitudes em relação às nossas emoções, apenas uma em cada dez pessoas se sente bem em se abrir, enquanto que a maioria se mostra indiferente em se expressar para outras.

Mais da metade (52%) não gosta de falar sobre suas emoções, e uma em cada sete pessoas diz que não possui um canal por onde possa expressar como realmente se sente.

Quando os entrevistados foram incentivados a identificar como realmente estavam se sentindo, a ansiedade foi o sentimento mais comumente relatado, seguida por afeto, amor e depressão, também frequentemente citados.

“As pessoas ao nosso redor são essenciais para nossa saúde mental; pessoas com fortes conexões vivem mais felizes, mais saudáveis e por mais tempo do que aquelas sem [essas conexões]”, disse Edwards.

“É por isso que todos nós precisamos de uma rede saudável de amigos e família com os quais nos sentimos confortáveis em nos abrir quando precisamos. Da próxima vez que alguém lhe perguntar ‘como você está?’, tente sair do ‘script’ padrão e diga a verdade, em vez de ‘estou bem’, e observe como uma conversa mais significativa irá se desenvolver”, acrescentou Edwards.

Visite o site da Mental Health Foundation para mais informações sobre a campanha ‘I’m Fine’ (em inglês).

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost UK e traduzido do inglês.

Viver bem é o tipo de desejo tão universal que se tornou um direito. Mas não há fórmula ou mágica que o garanta, o que deixa, para cada um de nós, a difícil tarefa de descobrir e pavimentar o próprio caminho. A newsletter de Equilíbrio vai trazer a você textos e entrevistas sobre saúde mental, angústias, contradições e alegrias da vida. Assine aqui para receber novidades no fim de semana.

LEIA MAIS:

- Depressão, tretas no Facebook, o outro que sempre incomoda: Por que é preciso falar de saúde mental

- 13 celebridades que chamaram a atenção para a saúde mental este ano

- Escola encoraja crianças a falarem quando estão tristes ou furiosas