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Temer flerta com PSDB e embaralha disputa da presidência da Câmara

08/12/2016 20:11 -02
Marcelo Camargo/Agência Brasil

A informação de que o presidente Michel Temer (PMDB) quer escolher o líder do PSDB, deputado Antônio Imbassahy (BA) para comandar a Secretaria de Governo embaralhou a disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. Isto porque o tucano é um dos cotados na corrida pelo cargo na Esplanada, desde a demissão do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, há duas semanas.

Para os integrantes do centrão, grupo da base de Temer que sonha com o comando da Câmara, tirar o líder tucano da jogada é beneficiar o atual presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ). Embora não haja consenso sobre a possibilidade legal de Maia, que cumpre mandato tampão, poder se candidatar a reeleição, há uma avaliação interna no Palácio do Planalto de que ele vem fazendo um bom trabalho e não seria interessante a troca de comando.

A insatisfação clara dos deputados do centrão, que somam cerca de 200 votos, é apenas um dos entraves que o tucano enfrenta. Integrantes do próprio partido do presidente também têm reclamado. Eles preferiam que a articulação continuasse sob o comando do PMDB.

Para o governo, entretanto, o apoio do Congresso neste momento é determinante para a aprovação da reforma da Previdência, proposta com resistência da opinião pública. Por ser uma emenda à Constituição, a medida precisa de dois terços dos votos tanto na Câmara quanto no Senado para ser aprovada. O Planalto quer que o texto seja aprovado até o meio de 2017.

PSDB

A escolha por Imbassahy visa ampliar o espaço do PSDB dentro do governo, após críticas do partido à gestão do peemedebista. A pasta é uma das principais da Esplanada, ao lado da Casa Civil, hoje coordenada pelo peemedebista Eliseu Padilha.

Com a nomeação de Imbassahy, as atribuições da Secretaria de Governo devem ser ampliadas. Além de articular as votações no Congresso, o tucano deve participar da formulação de políticas na área econômica. O partido visa protagonismo na área, de olho na disputa pela Presidência em 2018.

Apesar da proximidade do PSDB com Temer, há dentro do Palácio do Planalto uma resistência em colocar um tucano no núcleo do governo justamente pelos motivos que o alçam ao cargo: 1. coloca um adversário político, que tem feito fortes críticas ao governo, no centro da estratégia de articulação política e 2. fortalece o PSDB para a disputa presidencial de 2018.

No dia da saída de Geddel, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi explícito ao apontar fragilidades no Executivo.

"Diante da circunstância brasileira, depois do impeachment, o que temos que fazer é atravessar o rio. Isso é uma ponte. Pode ser uma ponte frágil, uma pinguela? Tudo bem. Mas é o que tem", afirmou ao chegar a um seminário do partido em Brasília.

A crise que atingiu o Planalto após o escândalo do apartamento de luxo levou alguns tucanos a questionarem se Temer chegaria até o fim do mandato. O ex-titular da Cultura, Marcelo Calero, acusa o presidente de pressioná-lo para liberar a construção de um edifício em Salvador em que Geddel tem um imóvel. O caso motivou dois pedidos de impeachment do presidente.

O partido pede no TSE a cassação da chapa do peemedebista com Dilma Rousseff por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2014. O julgamento deve ser encerrado no primeiro semestre de 2017 e abre a possibilidade de novas eleições no país. Pela reforma eleitoral aprovada em 2015, o pleito seria indireto apenas se a Presidência ficar vaga após junho de 2018.

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