ENTRETENIMENTO

Projeto aprovado por vereadores permite que Virada Cultural aconteça em outras regiões de SP

08/12/2016 12:10 -02 | Atualizado 08/12/2016 12:10 -02
Foto: Fernando Pereira/ SECOM

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou na noite desta quarta-feira (7), em primeiro turno, um projeto de lei que prevê que a prefeitura tenha o centro histórico da cidade como "referência principal, mas não exclusiva" para a Virada Cultural.

De autoria dos vereadores Andrea Matarazzo (PSDB) e Floriano Pesaro (PSDB), o PL ainda tem que passar por uma segunda votação na Casa antes de ser encaminhado para a sanção do prefeito.

Caso seja aprovado, o projeto permitirá que a equipe do prefeito eleito, João Doria (PSDB), execute as mudanças recentemente anunciadas para o evento. Mas também torna a Virada uma Lei, o que torna sua realização uma obrigação da prefeitura.

De acordo com André Sturm, futuro secretário de Cultura, os grandes palcos da Virada sairão do centro e podem ser transferidos para Interlagos, onde hoje acontecem festivais de música como o Lollapalooza.

"A questão de tirar os grandes shows é que eles desvirtuam o objetivo principal que é oferecer oportunidade das pessoas circularem pelo centro. Tudo que está na lei a gente pretende fazer", disse Sturm em coletiva de imprensa realizada na manhã desta quinta-feira (7) para explicar as mudanças no evento.

Outras atrações, no entanto, continuarão acontecendo no centro da cidade, por exemplo, apresentações no teatro municipal. Questionado se o fato de a medida esvaziar o movimento de pessoas no centro não aumentaria a sensação de insegurança, Sturm disse que a intenção não é fazer uma “virada vazia”.

Segundo ele, a ideia de passar a noite aproveitando os equipamentos da cidade "é o que vai motivar as pessoas à comparecerem nas atrações da Virada no centro, mesmo sem a realização de um grande show na região”.

“Pode ter pessoas que não vão gostar, mas tem pessoas que vão gostar. A questão de tirar os grandes shows [do Centro] é que eles desvirtuam o objetivo principal que é oferecer oportunidade das pessoas circularem pelo Centro”, afirmou.

A Virada Cultural hoje não é Lei, mas é um evento anual promovido desde 2005 pela prefeitura de São Paulo, com o intuito de promover na cidade 24 horas ininterruptas de eventos culturais, como espetáculos musicais, peças de teatro, exposições de arte e história, entre outros.

"Cidade Lixo"

A aprovação acontece na mesma semana em que o prefeito eleito, João Doria (PSDB), afirmou que vai transferir o evento para o Autódromo de Interlagos, na Zona Sul da capital paulista, com duração de 12 horas.

Ele disse, em plenária do Fecomercio-SP, nesta semana:

"Vai ser em Interlagos com segurança, não incomodando a população. O formato vai ser mantido durante os quatro anos de gestão"

Para justificar a decisão, Doria citou o Festival Lollapalooza como exemplo de evento musical concentrado em um único local, realizado no Autódromo de Interlagos há dois anos. Nos bairros, Doria afirmou que vão ocorrer "pequenas Viradas", com programação reduzida, de 12 horas de shows.

No mesmo evento na Fecomercio-SP, Doria criticou a zeladoria da capital e os bailes funk que acontecem nas periferias da cidade:

"A cidade é um lixo vivo. O pancadão [baile funk] é um cancro que destrói a sociedade. O pancadão é administrado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital). A limpeza e a manutenção da cidade não são boas. Quem anda pela cidade hoje percebe."

Fernando Haddad

O atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), comentou a decisão do prefeito eleito João Doria (PSDB) de tirar a Virada Cultural da região central de São Paulo. Em evento de entrega da ampliação da Central de Tratamento Leste (CTL) e da realocação da Avenida Sapopemba, o prefeito afirmou:

"É uma coisa que tem longevidade, uma política pública importante. Quero crer que isso vai ser revisto"

Por meio de nota, o futuro secretário de Cultura da gestão de Doria, André Sturm, afirmou que a proposta de Doria busca “descentralizar a distribuição cultural pelos vários bairros de São Paulo”.

Segundo ele, atividades no Centro deverão ser incentivadas ao longo de todo o ano.

"No Centro, vamos aproveitar a Virada como catalizador do uso dos equipamentos culturais durante todo o ano. Muitas pessoas desconhecem o Teatro Municipal, a Biblioteca Mário de Andrade, os teatros da Praça Roosevelt. A Virada não pode ser um evento de um dia apenas"

Evento criado na gestão do também tucano José Serra (2004-2006), a Virada reunia até então a maior parte dos shows e atividades na região central da cidade. E, ao longo de 24 horas, convida moradores de todos os bairros e turistas a compartilharem pontos turísticos e outros espaços públicos pouco frequentados e muitas vezes esquecidos da cidade.

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