NOTÍCIAS

Fidel Castro revisou manuscritos de Gabriel García Márquez

08/12/2016 23:11 -02
Ho New / Reuters
Cuba's President Fidel Castro (R) talks to Colombian writer Gabriel Garcia Marquez in this file photo taken on March 12, 2007 in Havana, Cuba. Picture taken on March 12, 2007. REUTERS/El Tiempo-newspaper (COLOMBIA). EDITORIAL USE ONLY. NOT FOR SALE FOR MARKETING OR ADVERTISING CAMPAIGNS.

Fidel Castro, presidente de Cuba morto no último dia 25 aos 90 anos, deixou sua marca na política do século 20 ao ser tanto amado quanto odiado por ter liderado a revolução e o regime no país.

O que não se sabia a respeito de Castro até recentemente é que ele também atuou como revisor de manuscritos de Gabriel García Márquez, após ambos tornarem-se grandes amigos na década de 1970.

Em entrevista ao Guardian, a Dra. Stéphanie Panichelli-Batalla, professora da Universidade de Aston e coautora do livro Gabo & Fidel, disse que o líder cubano era um leitor ávido e se ofereceu para revisar textos do amigo por ter "bom olho para detalhes".

Panichelli-Batalla contou ao jornal inglês que as revisões de Castro foram mais factuais e gramaticais do que ideológicas:

"Depois de ler Relato de um Náufrago, Fidel disse a Gabo que havia um erro no cálculo da velocidade de um barco. Isso fez Gabo pedir a ele que lesse seus manuscritos... Outro exemplo de correção que ele fez depois foi em Crônicas de uma Morte Anunciada, no qual Fidel percebeu um erro nas especificações de um rifle de caça."

García Márquez, morto em 2014 aos 87 anos, passou então a contar com olhar atento do amigo em cada linha de seus manuscritos; ele não foi creditado pelo trabalho.

Segundo a pesquisadora, o encontro de ambos pode ter sido orquestrado pelo então presidente de Cuba, após ele saber que o escritor trabalhava em um livro de não ficção baseado em relatos de cubanos sobre a vida no país sob embargo dos Estados Unidos.

Os dois eram amigos próximos. García Márquez apoiava abertamente a política de Castro na ilha e, de acordo com a pesquisa de Panichelli-Batalla, criticava a liderança do presidente em conversas privadas, mas jamais em público.

Após a morte do escritor, sua biblioteca pessoal foi transferida para o Harry Ransom Centre, na Universidade do Texas. No acervo, foi encontrada uma cópia de A Estratégia Política da Vitória, livro de Castro, com uma dedicatória para Gabo feita em 2010.

Na mensagem, o cubano chama o autor de Cem Anos de Solidão pelo apelido. "Seu livro Eu Não Vim Fazer um Discurso é perturbador", escreveu.

"Escravizado por outras obrigações, abandonei minha tarefa e comecei a lê-lo. Senti falta de suas histórias."

LEIA MAIS:

- Patti Smith representará Bob Dylan na cerimônia do Nobel

- Muito mais que a 'irmã de Virginia Woolf': Pintora Vanessa Bell ganha exposição incrível

- Amor e vingança: Margaret Atwood atualiza clássico de Shakespeare, 'A Tempestade'