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Após impeachment, Financial Times coloca Dilma Rousseff entre as mulheres do ano

08/12/2016 17:07 -02 | Atualizado 08/12/2016 17:07 -02
Ueslei Marcelino / Reuters
Brazil's President Dilma Rousseff smiles during a meeting with Secretary General of the Organization of American States (OAS) Luis Almagro (not pictured) in Brasilia, Brazil, May 10, 2016. REUTERS/Ueslei Marcelino/File Photo

A ex-presidente Dilma Rousseff, afastada do cargo no final de agosto, em um processo de impeachment, foi eleita pelo jornal britânico Financial Times como uma das mulheres do ano.

Dilma foi escolhida ao lado da primeira-ministra britânica Theresa May, a ginasta olímpica americana Simone Biles, a candidata derrotada americana Hillary Clinton, a cantora Beyoncé, entre outras.

A lista divulgada nesta quinta-feira pelo FT traz entrevistas e perfis com as mulheres que marcaram 2016, seja por triunfos ou por fracassos – como nos casos de Dilma e Hillary.

Ao correspondente britânico no Brasil, o jornalista Joe Leahy, a ex-presidente alega ainda estar chocada com reviravolta de sua trajetória, uma inversão que, de acordo com Leahy, correspondeu à do Brasil, que passou de um milagre econômico de mercado emergente a um desapontamento em poucos anos.

O jornalista ressalta o contraste de seis anos atrás, quando a avaliação do governo Dilma fazia inveja a qualquer líder mundial. “Ela foi a mulher que finalmente quebrou o teto de vidro na política brasileira, que se colocou como campeã das minorias e dos pobres'”, diz o perfil.

Aos leitores britânicos, a matéria explica como a crise econômica afetou a popularidade da ex-presidente. “Embora o Brasil tenha sido atingido pela queda das commodities, suas políticas econômicas intervencionistas – como tentar controlar os preços dos combustíveis e da energia – minaram a confiança das empresas.”

Na entrevista, Dilma admite que não pretende mais concorrer a cargos eletivos, mas que vai continuar a ser “politicamente ativa”.

Dilma também diz que, pelas mulheres, queria deixar um legado de uma presidência bem sucedida, não um impeachment.

“Quando você é uma mulher na autoridade, eles dizem que você é dura, seca e insensível, enquanto um homem na mesma posição é forte, firme e encantador”, contou ao repórter. Na conversa, Dilma brincou, dizendo que o mais frustrante foi o fato de ela ter sido pintada como ogro.

Confira todas as mulheres do ano, de acordo com o FT:

Jean Liu, presidente da Didi Chuxing, a maior empresa de transportes da China

Simone Biles, ginasta americana, destaque na Olimpíada Rio-2016

Dilma Rousseff, ex-presidente do Brasil

Maria Grazia Chiuri, primeira mulher no comando da Dior

Mary Berry, apresentadora da BBC

Njideka Akunyili Crosby, artista plástica nigeriana

Margrethe Vestager, líder do partido Social-liberal da Dinamarca

Phoebe Waller-Bridge & Vicky Jones, autoras da série Fleabag

Hillary Clinton, primeira mulher candidata à Presidência dos Estados Unidos

Sushma Swaraj, ministra das relações exteriores da Índia

Kellyanne Conway, estrategista e coordenadora de campanha do partido republicano

Park Geun-hye, presidente da Coreia do Sul

Beyoncé, cantora e empresária

Zaha Hadid, arquiteta renomada

Jo Cox, política britânica morta em junho deste ano

Rahaf, professora e refugiada

Latifa Ibn Ziaten, ativista franco-marroquina

Quarraisha Abdool Karim, epidemiologista sul-africana

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