NOTÍCIAS

Wyllys admite cusparada em Bolsonaro. Mas diz que foi chamado de 'queima rosca'

06/12/2016 16:51 -02 | Atualizado 06/12/2016 16:51 -02
Montagem / Agência Brasil

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) admitiu que cuspiu no deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) na sessão no plenário da Câmara em que foi aprovada a admissibilidade do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Ele disse, contudo, que foi ofendido por Bolsonaro antes do episódio.

O socialista responde a processo por quebra de decoro no Conselho de Ética da Câmara pelo caso.

Em depoimento ao colegiado nesta terça-feira (6), Wyllys afirmou que Bolsonaro o ofendeu após o socialista votar contra o impeachment. "Ele disse 'queima rosca' e quando virei ele virou para mim, levantou a mão e disse 'tchau, querida'". Ele contou ainda que o filho de Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSC-RJ), cuspiu nele.

"Uma das primeira injúrias praticadas contra nós, homossexuais masculinos, é usar termos femininos para nos ofender porque a homofobia tem a mesma origem do machismo", afirmou.

"Ao contrário dele, que acha que homossexualidade é um defeito, ao contrário dele que disse que se mudaria de um bairro se tivesse um vizinho homossexual, a minha homossexualidade é um orgulho para mim. A nossa história de vida, formação, corpos nos deram diferentes formações. A minha não é pior nem melhor que a sua", completou o socialista.

Wyllys citou outros episódios em que foi provocado por Bolsonaro e disse que costuma ignorar as ofensas. "A primeira vez e única, espero, em que eu reagi de uma maneira talvez indelicada foi o dia que cuspi nele, mas por todo contexto que vivíamos", afirmou.

O desentendimento aconteceu após Bolsonaro homenagear o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra durante o voto pelo impeachment de Dilma. Ele foi o primeiro militar brasileiro a responder por um processo de tortura na ditadura e algoz da ex-presidente na época do regime militar.

O ex-corregedor da Câmara dos Deputados, Carlos Manato (SD-ES), recomendou a suspensão do mandato de Wyllys. "Houve quebra de decoro, mas achamos que perda seria muito grave. Advertência escrita também seria uma coisa muito simples porque naquele momento o Brasil e o mundo estava todo voltado para a Câmara dos Deputados", afirmou em testemunho no Conselho de Ética.

O deputado do PSOL foi alvo de seis representações na Corregedoria da Casa sobre o caso. O órgão recebe representações de cidadãos ou de deputados contra outros parlamentares. Cabe ao Conselho votar a possível punição a Jean Wyllys, após a análise de provas.

LEIA TAMBÉM

- Kokay defende Wyllys de cusparada: 'Bolsonaro é algoz impune'

- Ex-corregedor recomenda suspensão de Jean Wyllys por cusparada

- Perdoado: Câmara arquiva processo contra Bolsonaro por apologia à tortura