ENTRETENIMENTO

João Doria diz que vai levar Virada para Interlagos. E paulistanos criam edição 'clandestina'

06/12/2016 13:51 -02 | Atualizado 06/12/2016 13:51 -02

O prefeito eleito de São Paulo, Joao Doria (PSDB), declarou que a Virada Cultural será totalmente transferida para o Autódromo de Interlagos, na zona sul.

Evento criado na gestão do também tucano José Serra (2004-2006), a Virada reunia até então a maior parte dos shows e atividades na região central da cidade. E, ao longo de 24 horas, convidava (ou convidava) moradores de todos os bairros e turistas a compartilharem pontos turísticos e outros espaços públicos.

Em entrevista à Folha de São Paulo, nesta segunda-feira (5), Doria deixou claro que não acredita que mudança signifique perda para a cidade:

"O convívio as pessoas podem ter naturalmente, todos os dias. Não é preciso esperar a Virada Cultural para conviver com o centro da cidade e com os equipamentos culturais que o centro disponibiliza.”

A recepção da notícia não foi controversa.

Nas redes sociais, os paulistanos se manifestaram contra e a favor da decisão do novo prefeito. Ao longo da manhã desta terça (6), a Virada Cultural ficou entre os assuntos mais comentados no Twitter. Veja a repercussão no microblog:

Os idealizadores do evento reprovaram a ideia de João Doria.

Carlos Augusto Calil (ex-secretário municipal de Cultura), José Mauro Gnaspini (produtor nas 12 edições) e o vereador Andrea Matarazzo (autor do projeto de lei que coloca o evento no calendário oficial de SP) fizeram críticas ao anúncio.

Responsável por chefiar a pasta da Cultura nas 8 primeiras edições da festa, Calil declarou:

"É um erro crasso. A virada é o centro, representa o processo de revitalização humana da região. Ela teve o efeito importante de chamar a atenção das pessoas para lá. Todos têm seu bairro, mas o centro é um lugar comum para todo mundo. O que a Virada fazia era permitir o encontro das várias classes sociais num mesmo território. Tem um valor simbólico, material."

Na mesma reportagem, a Folha destacou uma fala do prefeito durante um evento realizado na Fecomercio-SP (Federação de Bens, Serviços e Turismo do Estado de SP. Na ocasião, Doria criticou a zeladoria da capital e os bailes funk que acontecem nas periferias da cidade.

"A cidade é um lixo vivo. O pancadão [baile funk] é um cancro que destrói a sociedade. O pancadão é administrado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital). A limpeza e a manutenção da cidade não são boas. Quem anda pela cidade hoje percebe."

Em resposta às declarações de Doria, foi criado no Faceboook o evento Virada Cultural Clandestina de São Paulo 2017 que, até o começo da tarde desta terça (6, somava mais de 26 mil confirmações, além de mais de 30 sinalizações de interesse.

A descrição do evento traz a seguinte mensagem:

“O senhor João Doria, após falar que São Paulo é um LIXO VIVO, anunciou que a Virada Cultural - Oficial seria transferida para o Autódromo de Interlagos. O mínimo que nós cidadãos paulistanos que curtimos a Virada NO CENTRO, com os problemas que podem ser minimizados mas com uma TROCA HUMANA intensa e fundamental para a saúde mental coletiva da cidade, devemos fazer é, além de protestar para que o Doriana volte atrás dessa ideia de jerico, é nos apropriar da Virada e se for o caso, colar no centro no dia que é pra ser e fazer a balada lá de forma autônoma, autogestionada, todos os coletivos ae que agitam a cidade armar o barraco e fazer sua bagunça, e de repente isso vira algo ainda mais legal do que a Virada é hoje. Vamoaê?!”

virada

Além da edição "clandestina" da Virada, foi criado no Facebook o evento Virada Cultural na Casa do João Doria que, até o começo da tarde, já somava mais de 1700 pessoas interessadas. Na decrição, apenas uma frase: Virada Cultural na Casa do João Doria com Sessão de Abraços com Bia Doria.

dorinho

Lollapalooza

Soninha Francine, que assumirá a secretaria municipal de Assistência Social, concorda com a decisão de Doria. Ela acredita que a mudança pode levar muita gente a conhecer o local. "O [festival de música] Lollapalooza é lá e funciona muito bem", afirmou Soninha.

À coluna de Mônica Bergamo, a futura secretária também disse:

"O que é mais legal é todo mundo se encontrar em um mesmo lugar e ter um monte de show perto um do outro. Se a locomoção for bem planejada, por mim tudo bem. Não apoiaria se fossem várias viradas ao mesmo tempo em diferentes lugares.”

Vai ou não vai?

Contrariando parte das declarações feitas por João Doria, André Sturm - futuro secretário e Cultura - declarou nesta terça (6) que a Virada não vai acabar e sim melhorar.

Em entrevista à mesma Folha, ele afirmou que a nova gestão pretende transferir apenas os grandes shows da Virada para Interlagos. Já as outras atividades serão realizadas no centro da capital.

"Em vez de oito ou dez megapalcos que atraem uma multidão que fica perambulando pelo centro, haverá grandes shows em Interlagos, com mais conforto, segurança, área de alimentação, banheiros e até área para dormir, se as pessoas quiserem. Seria um palco para um show maior e outros dois palcos para outras bandas."

Segundo Sturm, a transferência desses grandes shows não será feita "para destruir nem confinar, e sim para ampliar, melhorar as condições desses grandes eventos".

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