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Comissário de voo da Chape nega ter se salvado por posição fetal: 'Não disse nada disso'

05/12/2016 10:48 -02 | Atualizado 05/12/2016 10:48 -02

comissario voo

O comissário de voo Erwin Tumiri, um dos seis sobreviventes do acidente aéreo envolvendo a Chapecoense, negou, em entrevista ao Fantástico deste domingo (4), que tenha saído vivo do acidente por ter seguido os procedimentos de segurança.

Segundo ele, os passageiros não haviam sido avisados de que a aeronave passava por problemas e, de repente, as luzes se apagaram. Ele diz não se lembrar do momento do acidente. “Levantei assustado, como se estivesse dormindo. Levantei de repente. E corri em direção a ela [Ximena Suárez, comissária que também sobreviveu]. E a soltei. Ela estava presa. Nesse momento, a Ximena estava gritando e, quando ela me viu, foi se acalmando”.

A notícia de que o procedimento teria ajudado a salvar a vida do comissário viralizou na semana passada. No entanto, Erwin Tumiri disse não ter dado entrevista ao jornal boliviano La Razón. De acordo com ele, em nenhum momento o risco de acidente foi comunicado aos passageiros do voo.

"É a primeira vez que estou falando com a imprensa. Ninguém percebeu que ia cair. Todos estavam prontos para pousar, normal. Em nenhum momento fiz isso (ficar na posição fetal). Era a preparação para um pouso normal", afirma.

Mudança de planos

O comissário falou ainda que não tinha conhecimento de que a aeronave da LaMia faria voo direto de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, até Medellín, na Colômbia. Segundo ele, o relatório apontava uma parada para reabastecimento em Cobija, o que acabou não acontecendo.

"Nós, como técnicos, fazemos o pré voo. Temos uma lista de checagem do que é preciso fazer. Eu fiz o relatório de que iríamos até Cobija. No momento da decolagem, eu voltei a perguntar: 'Vamos até Cobija?' 'Vamos até Medellín', ele (piloto Miguel Quiroga) me disse", disse.

Até o momento, a falta de combustível tem sido apontada por especialistas como a principal suspeita para a queda do avião. O acidente ocorreu a 30 km do aeroporto de José María Córdoba, em Rio Negro, nas proximidades de Medellín.

Tragédia interrompe sonho da Chape

chapecoense

A cidade de Chapecó, em Santa Catarina, e o futebol acordaram de luto nesta terça-feira (29). O acidente com o avião que levava a Chapecoense para a Medellín, na Colômbia, deixou ao menos 71 mortos entre as 77 pessoas que estavam a bordo.

Além dos jogadores, o avião levava a comissão técnica e funcionários da equipe da Chapecoense, além de jornalistas que iriam cobrir o jogo a Copa Sul-Americana na quarta-feira, em Medellín, a primeira internacional da equipe do interior catarinense.

Segundo informações iniciais, o avião teria desaparecido do radar e feito um pouso forçado, devido a uma falha elétrica, em Cerro Gordo, Colômbia. A aeronave estava a apenas cinco minutos de voo do aeroporto mais próximo, mas o piloto teria tentado um pouso antes da chegada, esvaziado os tanques de combustível para evitar uma explosão.

O avião, que havia decolado de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, tinha como destino final o município colombiano de Medellín, onde a Chapecoense disputaria as finais da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, quarta-feira à noite.

Homenagens a Chape no Brasil e na Colômbia

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