NOTÍCIAS

'Chega de pequenas reformas', diz Temer ao entregar o pacote da previdência ao Congresso

05/12/2016 19:09 -02 | Atualizado 05/12/2016 19:09 -02
ASSOCIATED PRESS
Brazil's President Michel Temer arrives for a press conference about proposed anti-corruption legislation in Brasilia, Brazil, Sunday, Nov. 27, 2016. Many Brazilians are concerned the legislation to toughen prosecution of corruption might perversely offer amnesty to politicians who had previously engaged in the practice. (AP Photo/Eraldo Peres)

O presidente Michel Temer entregou ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (5) o complemento da PEC do teto de gastos: a reforma da previdência. A medida que iguala o sistema do serviço público ao da iniciativa privada é considerada fundamental pelo governo para recolocar as contas da União em ordem.

Ao apresentar a proposta ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e aos líderes da base, Temer afirmou que para manter sustentável a previdência é preciso uma vitória no Congresso.

"Se não tivermos reforma da previdência agora, não teremos condições de manter o benefício no futuro. (…) Chega de pequenas reformas. Ou enfrentamos de frente o problema ou vamos condenar os nossos próximos a baterem nas portas do poder público e nada poderem receber”, defendeu.

Ao enfatizar a importância da reforma, Temer ressaltou que diversos países, inclusive da América Latina e Europa, também enfrentaram o mesmo problema e que, em alguns casos, houve corte salarial de 30%. “Países ricos tiveram que fazer isso na Europa e em várias partes do mundo.”

Temer ressaltou ainda que o Brasil é um dos poucos países que não tem idade mínima. A proposta do governo estabelece um piso de 65 anos, sendo que a proposta não atinge quem conta com direito adquirido.

“Novas regras valerão integralmente para os mais jovens, com regras de transição para os que ainda não atingiram 50 anos”, explica o presidente. De acordo com ele, regras de transição são importantes para diferenciar o impacto da reforma.

Até 2024

De acordo com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a reforma é uma necessidade. “Se não fizermos isso, teremos probemas graves principalmente na sustentabilidade da própria previdência.”

Segundo ele, atualmente 141 milhões de pessoas em idade ativa custam a previdência. O número cairá para 131 milhões em 2060 enquanto o número de idosos crescerá 263%.

Integrante do grupo que montou a reforma, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, apresentou um cenário ainda mais preocupante. De acordo com ele, se não tiver reforma, em 2024, o orçamento da união terá capacidade de pagar apenas os gastos fixos com saúde, educação, a folha de pagamento e a previdência.

“Apresentamos a reforma do orçamento responsável (o teto). Agora, uma depende da outra. Uma sem a outra não vai trazer o resultado que a economia brasileira necessita", justificou o ministro.

LEIA TAMBÉM:

- Com delação da Odebrecht e economia fraca, Temer teme ser alvo de próximos protestos

- Troca de presidente: 'Zorra' faz sátira com insatisfação de brasileiros com Temer

- Temer nega preocupação com possível cassação no TSE e minimiza denúncias na Lava Jato