ENTRETENIMENTO

Morte de Ferreira Gullar: Escritor, poeta e teatrólogo morre aos 86 anos no Rio

04/12/2016 12:04 -02
Fernando Frazão/ Agência Brasil

Poeta, escritor, teatrólogo, dramaturgo, ensaísta, crítico de arte, tradutor, biógrafo.

Todos esses em apenas um: Ferreira Gullar.

O artista morreu neste domingo (4) no Rio, por volta das 10h, aos 86 anos.

A informação foi confirmada pelo colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo. E por sua neta, Celeste à Folha de S. Paulo.

A causa da morte ainda não foi confirmada. O escritor estava internado no hospital Copa D'Or, no Rio de Janeiro, há cerca de 20 dias devido a insuficiência respiratória. Segundo o jornal O Globo, a partir de um quadro de pneumotórax, Gullar desenvolveu uma pneumonia.

Ainda não foram divulgadas informações sobre a data do velório ou enterro.

Quem foi Ferreira Gullar

Nascido José de Ribamar Ferreira em São Luís (MA), em 10 de setembro de 1930, Ferreira Gullar foi um dos maiores escritores brasileiros do século XX. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL) em 2014, ocupando a cadeira nº 37.

O perfil de Gullar no site da ABL (Academia Brasileira de Letras) informa que, inicialmente, o escritor "ficou escandalizado com esse tipo de poesia":

Descobriu a poesia moderna apenas aos dezenove anos, ao ler os poemas de Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. Ficou escandalizado com esse tipo de poesia e tratou de informar-se, lendo ensaios sobre a nova poesia. Pouco depois, aderiu a ela e adotou uma atitude totalmente oposta à que tinha anteriormente, tornando-se um poeta experimental radical, que tinha como lema uma frase de Gauguin: “Quando eu aprender a pintar com a mão direita, passarei a pintar com a esquerda, e quando aprender a pintar com a esquerda, passarei a pintar com os pés”.

Em sua última coluna para o jornal Folha de S. Paulo, o escritor escreveu sobre Donald Trump, eleito presidente dos Estados Unidos.

"Se a vitória de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos, sob certos aspectos, foi uma surpresa, sob outros resulta coerente com determinadas mudanças verificadas nas últimas décadas na realidade contemporânea a partir do fim do sistema soviético. O término da Guerra Fria, que dividia o mundo em duas facções hostis, provocou uma série de mudanças políticas, econômicas e ideológicas."

Ferreira Gullar também foi militante do Partido Comunista e exilou-se nos anos 70, época da ditadura militar, e viveu na União Soviética, na Argentina e Chile.

Segundo a Veja.com, em 1977, de volta ao País, foi preso, no Rio. Após 72 horas de interrogatório, Gullar foi libertado graças à intervenção de amigos com as autoridades do regime. Depois disso, retornou às atividades de critico, escritor e jornalista.

Segundo a ABL, Gullar afirmava que a poesia era sua atividade fundamental. Em 1987, publicou Barulhos e, em 1999, Muitas Vozes, que recebeu os principais prêmios de literatura daquele ano. Em 2002, foi indicado para o Prêmio Nobel de Literatura.

Entre suas obras mais conhecidas entre poesias, ensaios, contos e peças teatrais estão:

Poesia

"Um pouco acima do chão" (1949)

"A luta corporal" (1954)

"Poemas" (1958)

"João Boa-Morte, cabra marcado para morrer" [cordel] (1962)

"Quem matou Aparecida?" [cordel] (1962)

"A luta corporal e novos poemas" (1966)

"Por você, por mim" (1968)

"Dentro da noite veloz" (1975)

"Poema sujo" (1976)

"Na vertigem do dia" (1980)

"Crime na flora ou ordem e progresso" (1986)

"Barulhos" (1987)

"Formigueiro" (1991)

"Muitas vozes" (1999)

Crônica

"A estranha vida banal" (1989)

Conto

"Gamação" (1996)

"Cidades inventadas" (1997)

Memória

"Rabo de foguete" (1998)

Biografia

"Nise da Silveira" (1996)

Ensaio

"Teoria do não-objeto" (1959)

"Cultura posta em questão" (1965)

"Vanguarda e subdesenvolvimento" (1969)

"Augusto dos Anjos ou morte e vida nordestina" (1976)

"Uma Luz no Chão" (1978)

"Sobre Arte" (1982)

"Etapas da Arte Contemporânea: do Cubismo à Arte Neoconcreta" (1985)

"Indagações de Hoje" (1989)

"Argumentação Contra a Morte da Arte" (1993)

"Relâmpagos" (2003)

"Sobre Arte, sobre Poesia" (2006)

Teatro

"Se Correr o Bicho Pega, se Ficar o Bicho Come" (1966), com Oduvaldo Vianna Filho

"A saída? Onde fica a Saída?" (1967), com Antônio Carlos Fontoura e Armando Costa

"Dr. Getúlio, Sua Vida e Sua Glória" (1968), com Dias Gomes

"Um rubi no umbigo" (1978)

"O Homem como Invensão de si Mesmo" (2012)

*Esta nota será atualizada com novas informações.