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Carlinhos, o indiozinho condá de Chapecó que emocionou o Brasil

03/12/2016 10:00 -02 | Atualizado 03/12/2016 10:00 -02
Heuler Andrey via Getty Images
CHAPECO, BRAZIL - NOVEMBER 29: A young fan pays tribute to the players of Brazilian team Chapecoense Real who were killed in a plane accident in the Colombian mountains, at the club's Arena Conda stadium in Chapeco, in the southern Brazilian state of Santa Catarina, on November 29, 2016. Players of the Chapecoense were among 81 people on board the flight that crashed into mountains in northwestern Colombia, in which officials said just six people were thought to have survived, including three of the players. Chapecoense had risen from obscurity to make it to the Copa Sudamericana finals scheduled for Wednesday against Atletico Nacional of Colombia. (Photo by Heuler Andrey/Getty Images)

A imagem de uma criança de cinco anos, vestida com um enorme cocar e chorando no colo do pai pela tragédia em Medellín, deu volta ao mundo nos últimos dias. O menino foi uma das atrações na cerimônia de homenagem da quarta-feira e, como um autêntico mascote, regeu a torcida na Arena Condá. Carlos Miguel Garcia, o Carlinhos, ainda não entende bem o que aconteceu no último dia 29. Sabe que não verá novamente o ídolo Danilo, mas sonha em também ser goleiro da Chapecoense um dia. Enquanto Carlinhos batia bola com a mãe no gramado da Arena Condá, o pai, Alesandro Garcia, contou, nesta sexta, como o filho se transformou em uma celebridade na cidade.

O pai de Carlinhos é de Chapecó e fundou, em 1995, a Raça Verde, uma torcida organizada do clube. Como o mascote da equipe é um índio, em alusão à aldeia Condá, a reserva indígena do município, Alesandro teve a ideia de comprar um cocar para usar no estádio. “Em 2009, comprei esse cocar de índios equatorianos, de descendência inca, que passaram por aqui. Incomodei tanto esses índios, que acho que me venderam para se livrar de mim. Mas superfaturaram, paguei uns 1.000 reais.”

child chapecoense

“Ele apareceu no Instagram da Fifa, uma imagem linda, teve milhares de curtidas. Depois disso, foi efetivado como mascotinho e vai a todos os jogos.” O garoto de sorriso fácil integra as categorias infantis da Chapecoense e ainda não se decidiu se quer ser goleiro ou atacante. “Ele começou no gol porque o ídolo dele era o Danilo. Depois começou a entrar nos jogos junto com o Cleber Santana, começou a admirá-lo, e também quis jogar na linha. Quando chega da escolinha ele me conta que fez várias defesas e vários golaços.”

O pai garante que o amor pela Chapecoense parte do menino. “A gente não força nada. Ele está na escolinha e é mascote porque adora.” Tanto Alesandro como Carlinhos estão recebendo ajuda psicológica do clube depois do acidente. “Os psicólogos nos orientaram a sempre falar a verdade para o Carlinhos. Ele sabe que eles morreram, mas não entende direito. Quando pergunta sobre o ‘tio Danilo’, falo sobre as boas lembranças, e depois saímos para tomar um sorvete, tento ocupar a cabeça dele.”

Carlinhos, com o uniforme verde da Chapecoense e sem o cocar, não quis muito papo. “Vamos jogar bola?”, perguntou a cada um dos jornalistas no gramado. O mascotinho passou longos minutos chutando a bola – que ganhou de presente do ex-presidente do clube, Sandro Pallaoro, morto na tragédia, e com a qual dorme todas as noites em seu berço – e fez bico quando o pai o levou para almoçar. A casa do menino é mesmo a Arena Condá.

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