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Escola encoraja crianças a falarem quando estão tristes ou furiosas

02/12/2016 16:41 -02

emotions kids illustration

Uma escola no sul de Londres está transformando o ensino infantil ao mostrar a importância das emoções aos pequenos.

O bullying, o estresse, a automutilação e o suicídio são realidade em muitas escolas, mas ainda assim, a saúde mental não recebe o mesmo tratamento que a Matemática ou as Ciências na educação.

Um levantamento da Associação de Líderes de Escolas e Faculdades (ASCL, na sigla em inglês) e do National Children’s Bureau, realizado com 338 líderes escolares britânicos, indica que mais da metade deles (55%) observou aumento significativo de estudantes sofrendo de ansiedade e estresse nos últimos cinco anos, enquanto mais de 40% disseram ter notado um grande aumento no cyberbullying.

Além disso, quase oito de cada dez entrevistados (79%) disseram ter visto um aumento de comportamentos de autoagressão ou pensamentos suicidas entre os alunos.

Na escola primária Oliver Goldsmith, os alunos de 8 e 9 anos são encorajados pela professora e psicóloga clínica Anna Redfern a falar abertamente dos dias em que se sentem muito tristes ou furiosos, segundo reportagem da BBC.

Com brincadeiras e livros de exercícios, ela conduz a aula perguntando "Posso ver os pensamentos de vocês? Posso sentir o cheiro ou tocar estes pensamentos?"

"Ninguém consegue ver nossos pensamentos, então precisamos falar sobre eles", responde uma garotinha.

As aulas fazem parte de um programa educativo-psicológico, desenvolvido por Redfern e pela médica Debbie Plant, que ensina as crianças a reconhecer os momentos ruins e algumas técnicas para lidar com o humor deprimido.

"Todos temos sentimentos. E todos teremos dificuldades na vida que nos desafiarão. Ao invés de temermos falar dessas coisas, queremos que as crianças possam ter uma linguagem para expressar pedidos de ajuda e a maneira como estão se sentindo", ela diz à BBC.

Em uma das aulas, as crianças aprendem a diferenciar pensamentos que ajudem e pensamentos que atrapalham.

Palavras do mundo adulto, como "depressão", não são usadas. O objetivo é falar dos sentimentos com termos divertidos e que os estudantes possam entender.

"Vocês alguma vez já tiveram um daqueles dias bem chatos em que tudo parece estar contra vocês? Como quando você vai tomar café da manhã e seu cereal favorito acabou?"

Então a classe reage com horror e as crianças começam a falar de seus dias ruins.

Por estar em contato assíduo com as crianças, a escola tem papel precioso no equilíbrio emocional de seus alunos, e pode perceber sinais de agressividade, desinteresse, ansiedade, rebeldia, introversão, problemas de comportamento em geral, vitimização, dificuldade na fala, de ir ao banheiro, de sono, de aprendizagem ou de alimentação.

Plant enfatiza a importância de se cuidar da saúde mental desde a infância.

"Trabalhamos com a saúde mental dos adolescentes por tanto tempo, e achamos que estava funcionando. Mas os jovens nos disseram 'por que vocês não nos falaram sobre isso quando tínhamos sete, oito ou nove anos? Teria feito uma grande diferença'."

Caso você — ou alguém que você conheça — precise de ajuda, ligue 141, para o CVV - Centro de Valorização da Vida, ou acesse o site. O atendimento é gratuito, sigiloso e não é preciso se identificar. O movimento Conte Comigo oferece informações para lidar com a depressão. No exterior, consulte o site da Associação Internacional para Prevenção do Suicídio para acessar uma base de dados com redes de apoio disponíveis. O HuffPost Brasil possui também uma série de reportagens sobre a prevenção do suicídio e a importância de se falar a respeito.

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