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Temer minimiza denúncia de ministro da Cultura, e Geddel continua ministro

21/11/2016 17:49 -02 | Atualizado 21/11/2016 17:49 -02
EVARISTO SA via Getty Images
Brazilian acting President Michel Temer (R) and the General Secretary of the Brazilian Presidency Geddel Vieira Lima speak during a meeting with party leaders of the National Congress at Planalto Palace in Brasilia, on June 15, 2016. Temer is seeking support for the approval of a fiscal adjustment that he will send this week to the Congress. / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Em meio a crise política instaurada após o pedido de demissão de Marcelo Calero, o presidente Michel Temer defendeu nesta segunda-feira (21) a permanência do ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) na Secretaria de Governo. Esta foi a primeira vez que o presidente comentou o caso.

"Em primeiro lugar, o ministro Geddel Vieira Lima continua à frente da Secretária de Governo da Presidência”, afirmou o porta-voz da Presidência, Alexandre Parola.

Calero justificou o pedido de demissão do comando Ministério da Cultura à pressão que Geddel teria feito para que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão do MinC, produzisse um parecer favorável a um empreendimento na zona nobre de Salvador, no qual o peemedebista tem uma promessa de compra.

Em um rápido pronunciamento, Parola afirmou ainda que o presidente ressalta o caráter técnico do órgão.

“Todas as decisões sob responsabilidade do Ministério da Cultura são e serão encaminhadas e tratadas estritamente por critérios técnicos, respeitados todos os marcos legais e preservada a autonomia decisória dos órgãos que o integram, tal como ocorreu no episódio de Salvador.”

Mais cedo, após reunião do Conselhão, o presidente evitou comentar o caso com a imprensa. A bancada do PT no Senado protocola nesta tarde uma representação no Ministério Público Federal para que o ministro seja investigado.

Entenda o caso

O empreendimento de luxo do La Vue Ladeira da Barra, pivô da demissão de Calero, foi embargado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no último dia 16. Segundo o ex-ministro, assim que assumiu o comando da Cultura passou a ser pressionado por Geddel para elaborar outro parecer.

"Então você me fala, Marcelo, se o assunto está equacionado ou não. Não quero ser surpreendido com uma decisão e ter que pedir a cabeça da presidente do Iphan", afirmou Calero à Folha de S.Paulo.

"Uma situação como essa, de um ministro ligar para outro ministro pedindo interferência em um órgão público para que uma decisão fosse tomada em seu benefício, não é normal e não pode ser vista assim. Não é normal", afirmou ao Estado de S.Paulo.

Calero afirmou ainda que o ministro disse ter comprado o imóvel "com a maior dificuldade”. A unidade é avaliada em R$ 2,5 milhões.

Geddel reconhece a compra do imóvel e que tratou sobre o assunto com Calero, mas nega conflito de interesses. "É uma situação absolutamente tranquila e serena. Tratei o ministro Calero com transparência, com tranquilidade, com serenidade", disse ao HuffPost Brasil no sábado (19).

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