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Dólar salta 4,7%, maior alta em 8 anos, e vai acima de R$ 3,35 com BC e Trump

10/11/2016 17:41 -02 | Atualizado 10/11/2016 17:41 -02
Bloomberg via Getty Images
A trader watches a television screen displaying a news channel showing U.S. President-elect Donald Trump making his victory speech on the trading floor at ETX Capital, a broker of contracts-for-difference in London, U.K., on Wednesday, Nov. 9, 2016. Donald Trump was elected the 45th president of the United States in a stunning repudiation of the political establishment that jolted financial markets and likely will reorder the nation's priorities and fundamentally alter America's relationship with the world. Photographer: Chris Ratcliffe/Bloomberg via Getty Images

O dólar fechou com a maior alta em oito anos nesta quinta-feira ao disparar mais de 4,5%, indo acima de R$ 3,35, com forte onda de aversão ao risco por conta da vitória de Donald Trump nos Estados Unidos e pela ausência do Banco Central brasileiro no mercado de câmbio.

Pesaram ainda sobre o câmbio fluxos de saída de dólares e preocupações sobre o futuro político do presidente Michel Temer.

O dólar avançou 4,73%, a R$ 3,3614 na venda, maior alta de fechamento desde 22 de outubro de 2008, quando subiu quase 6%. O dólar futuro subia cerca de 4,6% no final desta tarde.

Na máxima do dia, a moeda norte-americana marcou R$ 3,3910 e, na mínima, R$ 3,2095. Na véspera, o dólar havia subido quase 1,5% sobre o real, já reagindo à eleição de Trump como presidente norte-americano.

Por que o dólar subiu com a vitória de Trump?

A onda de aversão ao risco eleva a busca por ativos considerados mais seguros, como ouro e o dólar. Com medo da instabilidade, os investidores fogem de mercados considerados menos seguros, como são os emergentes, o que leva à valorização da moeda americana diante das demais, como o real.

"Há muito pânico no mercado, é definitivamente um resultado que não se estava esperando", disse o estrategista do Banorte-IXE, Juan Carlos Alderete, na última quarta-feira (9), após a vitória de Trump. "Os movimentos são muito fortes, o mercado está mostrando maior aversão ao risco em busca de ativos seguros."

Mesmo com um discurso mais conciliador do novo presidente dos EUA, os investidores devem permanecer estressados até ter conhecimento do que de fato o presidente eleito vai conseguir colocar em prática das propostas radicais que anunciou em sua campanha.

"Passado o primeiro momento de intranquilidade, o mercado tende a se ajustar quando passar o susto", comentou o gerente de câmbio corretora Fair, Mário Battistel, gerente de câmbio corretora Fair.

Ontem, as bolsas de todo o mundo despencaram com a surpresa da eleição americana.

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