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Bolsas caem pelo mundo com vitória de Trump e dólar valoriza mais de 2% ante real

09/11/2016 11:26 BRST | Atualizado 09/11/2016 11:26 BRST
Bloomberg via Getty Images
A trader reacts as a television news report shows U.S. President-elect Donald Trump speaking following the U.S. Presidential election result announcement, inside the Frankfurt Stock Exchange in Frankfurt, Germany, on Wednesday, Nov. 09, 2016. Global markets were thrown into disarray as Donald Trump won the U.S. presidential election, shocking traders after recent polls indicated that Hillary Clinton would be the victor. Photographer: Alex Kraus/Bloomberg via Getty Images

A vitória de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos foi recebida com choque por investidores de todo o mundo e os mercados financeiros asiáticos, europeus e latinos desabaram na manhã desta quarta-feira (9).

O índice Nikkei do Japão caiu mais de 800 pontos, ou seja quase 5%. As aplicações financeiras estão se transferindo para o ouro. O peso mexicano está em queda livre.

Aqui no Brasil, o resultado da eleição americana não foi diferente. Antes do pregão, o dólar americano disparava quase 2,5% ante o real.

O Índice de Valores da Bolsa de São Paulo (Ibovespa) caia -2,29% por volta das 11h, com 62.690,7 pontos. Ao mesmo tempo, o dólar comercial subia 1,45%, a R$ 3,213, maior alta nos últimos dois meses.

O Banco Central não fez seu tradicional de leilão de swap cambial reverso (que equivale a uma compra de dólar no mercado futuro), justamente para não adicionar ainda mais pressão compradora ao dólar. "O mais prudente é não fazer o leilão nesse momento de volatilidade”, informou a assessoria de imprensa do BC.

Nos quatro pregões anteriores, o dólar havia acumulado queda de 2,28% sobre o real com apostas de que Trump não sairia vitorioso da eleição.

O republicano surpreendeu o mundo derrotando a franca favorita Hillary Clinton na eleição presidencial dos Estados Unidos na terça-feira, encerrando oito anos de governo democrata e colocando o país em um caminho novo e incerto.

"Acho que o dólar pode ir a R$ 3,30 até a próxima semana porque ninguém estava precificando a vitória de Trump", comentou o analista de câmbio da corretora Gradual Investimentos, Marcos Jamelli.

Pelo mundo

Uma vez que os investidores de todo o mundo apostavam na vitória da democrata Hillary Clinton, o resultado provocou caos nas bolsas pelo mundo.

A Bolsa de Valores de Milão abriu em forte baixa de 3,47%, batendo apenas 16.230 pontos, com uma grande queda nas ações de bancos, como o MPS, que caiu 11,4%.

O mesmo acontece nos mercados de Paris, com queda de 2,8%, Londres, com queda de 1,6%, e Frankfurt, com baixa de 2,9%, na abertura dos negócios. A maior baixa é sentida em Madri, com a bolsa despencando 3,82%. Segundo analistas, a previsão é que o mercado se mantenha no vermelho durante todo o dia.

Mesmo fechando antes do resultado eleitoral, mas com base nas projeções que já apontavam Trump como eleito para a Casa Branca, os mercados da Ásia também fecharam em forte queda.

O índice Nikkei, no Japão, fechou no vermelho em 5,36%, sendo o pior número desde que os britânicos optaram por deixar a União Europeia, no dia 24 de junho. Já na China, a Bolsa de Xangai fechou em -0,7%, de Hong Kong em -2,3% e em Sidney -2,4%.

O peso mexicano foi a moeda mais impactada com o resultado da eleição, uma vez que Trump ameaça acabar com um acordo de livre comércio com o México e taxar o dinheiro enviado pelos imigrantes para pagar pela construção de um muro na fronteira.

O peso enfraqueceu mais de 13% no after-market do México, ultrapassando a barreira dos 20 pesos por dólar, maior queda desde a Crise da Tequila em 1994.

A moeda mexicana reduziu as perdas e caiu cerca de 8,5%, a 19,875 por dólar no início da quarta-feira, depois que Hillary admitiu a vitória de Trump em uma ligação telefônica.

Por que o dólar se fortalece com a vitória de Trump?

Com a onda de aversão ao risco, que elevou a busca por ativos considerados mais seguros, como ouro e iene, o dólar disparava ante divisas emergentes, como economias em desenvolvimento e que oferecem algum risco ao investidor.

"Há muito pânico no mercado, é definitivamente um resultado que não se estava esperando", disse o estrategista do Banorte-IXE, Juan Carlos Alderete. "Os movimentos são muito fortes, o mercado está mostrando maior aversão ao risco em busca de ativos seguros."

Trump fez um discurso considerado conciliador após sua vitória, diferentemente do estilo agressivo adotado em toda a sua campanha, o que reduziu um pouco o temor nos mercados financeiros. Apesar disso, os investidores devem permanecer estressados até ter conhecimento do que de fato o presidente eleito vai conseguir colocar em prática das propostas radicais que anunciou em sua campanha.

"Passado o primeiro momento de intranquilidade, o mercado tende a se ajustar quando passar o susto", comentou o gerente de câmbio corretora Fair, Mário Battistel, gerente de câmbio corretora Fair.

(Com informações da Reuters e Agência Brasil)