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31/10/2016 18:17 -02

Capitais elegem oito prefeitos de 'primeira viagem', mas 60% deles pertencem a clãs políticos

Montagem/Divulgação

Com o fim do segundo turno das eleições municipais, as cidades brasileiras já têm seus novos prefeitos para os próximos quatro anos. Nas 26 capitais brasileiras, 14 prefeitos conquistaram a reeleição e outros quatro ex-prefeitos conseguiram voltar ao cargo a partir de 2017. Mas um grupo de oito políticos vai estrear no cargo de prefeito. Não são políticos sem experiência: possuem um currículo vasto no Congresso Nacional, Assembléias Legislativas e em Câmaras de Vereadores.

No entanto, todos os novos eleitos tentaram se descolar da imagem do político tradicional, vendendo ao eleitor a ideia de um gestor assumindo um cargo político. Foi a tática para vencer os governos de continuidade. Mas se a capa é de "novo político", na contracapa os sobrenomes são da "velha política". Cinco prefeitos eleitos souberam usar as credenciais da família para conquistar o eleitor. São candidatos lançados pelos clãs políticos, normalmente formado por filhos, mulheres, netos e sobrinhos de políticos tradicionais em diferentes regiões brasileiras.

Na região Centro Oeste, por exemplo, os novos prefeitos das capitais de Cuiabá (Mato Grosso) e de Campo Grande (Mato Grosso do Sul) levam na bagagem o sobrenome Trad e Pinheiro, duas famílias políticas tradicionais na região.

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Marquinhos Trad, do PSD, venceu a eleição com 58,77% dos votos em Cuiabá

Em Campo Grande, o deputado estadual Marquinhos Trad é o 22º político da família com mandatos públicos. É quase como uma dinastia em Mato Grosso do Sul, que vai completar 60 anos em 2019.

Desde 1959, quando Nelson Trad foi eleito vereador de Campo Grande, a família não deixou de ocupar cargos políticos. Antes da eleição deste ano, o clã chegou a fazer até pesquisa qualitativa para definir o candidato do clã. Marquinhos, do PSD, venceu o irmão, Nelson Trad Filho (PTB), que é ex-prefeito de Campo Grande, e o primo Luis Henrique Mandetta (DEM), que é deputado federal pelo Mato Grosso.

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Pinheiro venceu o candidato do PSDB, Wilson Santos, com mais de 60% dos votos válidos

Na capital vizinha, Cuiabá, o clã Pinheiro recuperou forças com a eleição de Emanuel PinheiroPMDB, filho do ex-deputado federal Emanuel Pinheiro da Silva Primo. Emanuel conseguiu recuperar o histórico político de seu tio, o ex-senador Jonas Pinheiro, expoente da família na política, e que faleceu em 2008.

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Marchezan somou 60,5% dos votos válidos e venceu o atual vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, do PMDB

No sul do país, o novo prefeito de Porto Alegre conseguiu colocar pela primeira vez o PSDB no poder da capital gaúcha. Além de expandir a supremacia tucana nas capitais - fortalecido nestas eleições municipais, com sete capitais - Nelson Marchezan Júnior, atual deputado federal, expandiu o currículo do sobrenome Marchezan na política. Ele é filho de Nelson Marchezan, ex-deputado federal do partido Arena, durante a Ditadura Militar. Marchezan foi líder do governo João Figueiredo, entre 1979 e 1985.

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Ex-bispo da Universal, Crivella liderou desde o primeiro turno no Rio

No Sudeste, a herança política quebra paradigmas. Marcelo Crivella, prefeito eleito do Rio de Janeiro, não tem um sobrenome famoso ou um clã político por trás da sua candidatura. Mas é sobrinho de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal, que impulsionou a campanha do bispo licenciado Crivella.

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Com o jargão "não sou político, sou empresário", João Doria surpreendeu em São Paulo e foi eleito em primeiro turno

Em São Paulo, com o jargão "não sou político, sou gestor",João Doria, do PSDB, reativa a herança política do pai. João Agripino Doria era deputado federal, mas foi cassado pelo regime militar de 1964 e obrigado a se exilar em Paris, na França.

Na contramão dos clãs políticos, apenas três prefeitos se elegeram sem depender do sobrenome famoso. Em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, Alexandre Kalil(PHS), ex-presidente do Atlético Mineiro, estreiou na política usando o recall dos eleitores com sua gestão no futebol. Em Florianópolis, strong>Gean Loureiro (PMDB) a candidata do clã político Amin, Angela Amin. Gean foi vereador por cinco mandatos consecutivos antes de assumir a prefeitura da capital catarinense.

No Norte do País, o novato é o Doutor Hildon, do PSDB, que é o novo prefeito de Porto Velho, em Rondônia. Natural de Recife, em Pernambuco, mudou-se para Rondônia em 1992, onde assumiu o cargo de promotor no Ministério Público e, posteriormente, como professor de Direito.