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Sírios são vítimas de trabalho em regime de escravidão na Turquia, diz BBC

24/10/2016 14:22 -02 | Atualizado 24/10/2016 14:22 -02
Anadolu Agency via Getty Images
SANLIURFA, TURKEY - SEPTEMBER 24: Refugees work at a textile workshop at a tent city in the Akcakale District of Sanliurfa, Turkey on September 24, 2015. Refugees who take classes in weaving, confectionary-making, hairdressing, art etc. at the camp's social facilities are also able to contribute to their family income with the products they produce. 260 thousand Syrians who have escaped war and found asylum in Turkey are now living in camps with opportunities that mean they don't miss what they've left behind. (Photo by Aykut Unlupinar/Anadolu Agency/Getty Images)

Uma investigação secreta da BBC, grupo de comunicação britânico, encontrou adolescentes e adultos sírios refugiados trabalhando ilegalmente em regime de escravidão na Turquia na confecção de roupas das marcas Marks & Spencer (M&S), Asos, Zara e Mango. Os resultados da investigação foram mostrados no programa Panorama, da BBC. Segundo a reportagem, a maioria dos refugiados não têm autorização de trabalho.

Todas as marcas citadas na reportagem dizem que acompanham atentamente suas cadeias de produção e que não toleram a exploração de refugiados ou adolescentes. A britânica M&S afirmou que suas inspeções não encontraram um único refugiado sírio trabalhando na Turquia. No entanto, a investigação da BBC encontrou sete sírios em uma das principais fábricas da marca.

Foram encontrados refugiados que ganham pouco mais do que uma libra por hora (cerca de R$ 3,80), valor bem abaixo do salário-mínimo turco. Um dos refugiados afirmou em entrevista que sofre maus tratos na fábrica. "Se alguma coisa acontecer a um sírio, eles vão jogá-lo fora como se fosse um pedaço de pano", disse. O trabalhador mais jovem encontrado pelo programa de televisão tinha 15 anos e estava trabalhando mais de 12 horas por dia.

Um porta-voz da Marks & Spencer disse que as denúncias do programa são extremamente graves e inaceitáveis. "Comércio ético é fundamental para a M&S. Todos os nossos fornecedores estão contratualmente obrigados a cumprir os nossos princípios globais. Nós não vamos tolerar tais violações destes princípios e faremos tudo o que pudermos para garantir que isso não aconteça novamente", afirmou.

Danielle McMullan, representante da ONG Business & Human Rights Resource Centre, que atua na defesa dos direitos humanos em empresas, diz que as marcas precisam entender que são responsáveis pelo que acontece nas fábricas.

"Não é suficiente dizer que não sabiam. Eles têm a responsabilidade de monitorar onde e sob quais condições suas roupas estão sendo feitas”.

Trabalho clandestino

Numa pequena fábrica clandestina em Istambul, uma das várias que a equipe do programa visitou com câmeras ocultas, foram encontradas e dezenas de adolescentes sírios trabalhando. A empresa reagiu e disse que vai garantir apoio financeiro aos jovens para que possam regressar à escola e que irá pagar salários justos aos refugiados adultos até que eles encontrem trabalho legal na Turquia.

A investigação descobriu ainda refugiados que trabalham 12 horas por dia em uma fábrica de calças jeans para as marcas Mango e Zara. Eles atuavam na pulverização de produtos químicos perigosos para branquear os tecidos, sem usar máscaras de proteção.

A Mango afirmou que a fábrica era subcontratada sem o seu conhecimento. Disse ainda que enviou inspetores ao local, que não descobriram quaisquer trabalhadores sírios e que, no geral, detectaram "boas condições de trabalho".

Já a Inditex, empresa matriz da Zara, afirmou que suas inspeções nas fábricas são uma "forma altamente eficaz de melhorar as condições de monitoramento" e que já tinham encontrado inconformidades em uma auditoria feita em junho e tinham dado à fábrica um prazo até dezembro para a realização das melhorias necessárias.

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