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França começa a esvaziar campo de refugiados de Calais

24/10/2016 12:22 -02 | Atualizado 24/10/2016 12:22 -02
PHILIPPE HUGUEN via Getty Images
TOPSHOT - A migrant looks on French riot police officers hold back migrants who wait with their luggage to leave the 'Jungle' migrant camp in Calais, on October 24, 2016. French authorities began on October 24, 2016 moving thousands of people out of the notorious Calais Jungle before demolishing the camp that has served as a launchpad for attempts to sneak into Britain. Migrants lugging meagre belongings boarded buses taking them away from Calais' 'Jungle' under a French plan to raze the notorious camp and symbol of Europe's refugee crisis. / AFP / PHILIPPE HUGUEN (Photo credit should read PHILIPPE HUGUEN/AFP/Getty Images)

A França começou a retirar os imigrantes e refugiados do vasto campo de Calais conhecido como "selva" nesta segunda-feira (24), e centenas deles formaram filas com suas bagagens do lado de fora de um hangar para serem reassentados em centros de recepção espalhados pela França.

Os primeiros ônibus partiram menos de uma hora depois de funcionários da imigração iniciarem a operação, e autoridades previram que cerca de 2.500 imigrantes irão deixar o local no primeiro dia.

De acordo com a agência Ansa, a cada um que decidir deixar Calais e pedir asilo formal na França estão sendo propostas duas, entre as 450 opções de centros de acolhimento que podem ser encontrados em todo o território francês.

Grande parte dos moradores do local, no entanto, têm a intenção de se encaminhar para outros países europeus, como Itália e Alemanha.

Esvaziamento de Calais


Policiais armados se espalharam ao redor do armazém e através da cidadela improvisada depois de uma noite durante a qual pequenos grupos de imigrantes incendiaram blocos de banheiros e atiraram pedras em forças de segurança para protestar contra os planos de desmantelamento do campo.

O governo diz que está fechando o campo, lar de cerca de 6.500 imigrantes e refugiados que fogem da guerra e da pobreza, por razões humanitárias.

"Espero que isso funcione. Estou sozinho e tenho que estudar", disse Amadou Diallo, da Guiné, nação do oeste africano. "Não importa onde eu vou parar, realmente não ligo".

O porta-voz do Ministério do Interior francês, Pierre-Henry Brandet, disse que as autoridades não precisaram usar a força e que a grande presença policial no campo nesta segunda foi somente por "motivos de segurança".

Muitos dos imigrantes e refugiados são de países como Afeganistão, Síria e Eritreia e haviam tentado chegar ao Reino Unido, que barra a maioria deles com base em leis da União Europeia que os obriga a pedir asilo na primeira nação europeia em que puserem os pés.

Mas nem o início do processo representou uma garantia para as cerca de 1.300 crianças desacompanhadas - muitas delas buscam encontrar sues parentes na Inglaterra.

Há debates em curso com as autoridades britânicas para se decidir quem deveria acolher as crianças sem laços familiares no Reino Unido, disse o porta-voz, acrescentando que 200 partiram rumo ao território britânico na semana passada.

Os refugiados serão separados em famílias, adultos, crianças desacompanhadas e indivíduos vulneráveis, incluindo idosos e mulheres solteiras.

Eles serão encaminhados a centros de recepção nos quais irão passar por exames médicos e, se ainda não o tiverem feito, decidir se querem pedir asilo.

O partido francês de extrema direita Frente Nacional disse que o plano do governo irá criar minicampos de Calais por toda a França.

As autoridades calculam que 60 ônibus irão deixar o campo nesta segunda-feira, e o governo acredita que o esvaziamento irá demorar ao menos uma semana.

(Com informações das agências de notícias)

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