LGBT

Moradora de Belém (PA) publica relato emocionante em apoio ao filho trans

14/10/2016 21:10 -03 | Atualizado 14/10/2016 21:10 -03
Reprodução/Facebook

Identificar-se como transgênero exige um processo de autoconhecimento profundo e cada pessoa vive essa transição de forma muito particular.

Apesar de ser um caminho cheio de curvas e obstáculos, ter o apoio, o reconhecimento e o respeito daqueles com quem se convive diariamente, como os familiares, faz toda a diferença.

A paraense Norma Coeli emocionou todos com um texto em apoio ao seu filho trans. No Facebook, a mãe compartilhou como reconheceu na caçula uma garota "diferente":

"José Bernardo, meu filho caçula, que praticamente todos conhecem há 18 anos. Ou pensam que conhecem. Afinal de contas, o que viram esse tempo todo foi uma garotinha marrenta e que adorava jogar futebol. E essa verdade era a que eu, covardemente, também tentava acreditar. Covardemente, pois sabia o quão complicada seria a vida do meu filho se o que eu via realmente acontecesse de fato. Bem, didaticamente vou falar como tudo começou, pra ficar mais fácil a todos: desde que Letícia nasceu, eu percebi que "ela" era diferente. Sabe o instinto de mãe? Pois é."

Norma conta que, durante a infância da filha, tentou esconder o que sentia em relação a ela e procurou incentivá-la a adquirir todas as características consideradas femininas, como usar roupas cor de rosa e praticar o balé. Ela tinha medo do que a criança poderia sofrer caso assumisse sua essência.

O medo de Norma não é irreal, já que o Brasil é considerado um dos países que mais mata transexuais.

Porém, Norma compreendeu que esse tipo de imposição não seria uma forma de proteção, mas uma tortura para o filho que simplesmente não se encaixava no gênero feminino.

"Na verdade, eu apenas torturei minha 'garotinha' por anos a fio. Sim, torturei. Esse é o termo. Mesmo na inocência da infância, Letícia não entendia o porquê de não poder se vestir como o irmão. 'Ela' pegava as roupas dele escondido e saia pra brincar no condomínio, porque era assim que 'ela' se via: igual ao irmão mais velho."

Hoje, com 18 anos, Letícia é José Bernardo. Após o percurso de autoconhecimento, o garoto conseguiu refazer seus documentos e agora possui sua identidade com o seu nome social.

Norma, porém, sabe que os documentos não são suficientes diante do preconceito e da transfobia. Ela pede que os familiares e conhecidos respeitem a identidade do filho.

"Agora, família e amigos, o pedido mais importante de todos: comecem a tratar o meu pequeno rapaz pelo o que ele é: um rapaz!!! Um lindo, saudável e grande homem que, ao escolher o nome que vai carregar pela vida, não pensou duas vezes: JOSÉ, em homenagem ao seu amado avô, seu anjo da guarda agora, e BERNARDO, que significa "força de urso". E é isso que esse rapazinho lindo da mãe tem: uma imensurável força de urso!"

O relato desta mãe é uma inspiração e um abraço em todos aqueles que apoiam a cidadania trans!

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