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Alô, diplomacia: Líder filipino manda Obama para o inferno

04/10/2016 17:11 -03 | Atualizado 04/10/2016 17:11 -03
SAUL LOEB via Getty Images
This combination image of two photographs taken on September 5, 2016 shows, at left, US President Barack Obama speaking during a press conference following the conclusion of the G20 summit in Hangzhou, China, and at right, Philippine President Rodrigo Duterte speaking during a press conference in Davao City, the Philippines, prior to his departure for Laos to attend the ASEAN summit. US President Barack Obama on September 5 called a planned meeting with Rodrigo Duterte into question after the Philippine leader launched a foul-mouthed tirade against him. / AFP / Saul LOEB AND MANMAN DEJETO (Photo credit should read SAUL LOEB,MANMAN DEJETO/AFP/Getty Images)

O líder das Filipinas, Rodrigo Duterte, mandou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para o inferno, nesta terça-feira (4), e disse que os EUA se recusaram a vender algumas armas a seu país, mas que não se importa porque a Rússia e a China estão dispostas a fornecê-las.

Em seu ataque verbal mais recente, Duterte afirmou ter perdido respeito pelos EUA e repudiou as preocupações norte-americanas com sua guerra às drogas, chamando seus críticos de "tolos" que não podem impedi-lo de levar a cabo uma campanha que já matou mais de 3.400 pessoas em pouco mais de três meses.

Em um discurso polêmico e às vezes de baixo calão feito em Manila, Duterte disse que Washington não quer vender mísseis e outras armas, mas que russos e chineses lhe disseram que podem providenciá-las facilmente.

"Embora possa parecer merda para vocês, é meu dever sagrado manter a integridade desta república e as pessoas saudáveis", disse Duterte no segundo de dois discursos televisionados nesta terça-feira.

"Se vocês não querem vender armas, irei à Rússia. Mandei os generais à Rússia e a Rússia disse 'não se preocupem, temos tudo que vocês precisam, vamos entregar a vocês".

"E quanto à China, eles disseram 'simplesmente venha e assine e tudo será entregue'".

Seus comentários foram os mais recentes de uma avalanche quase diária de hostilidade contra os EUA, em que o presidente filipino começou a contrastar a ex-potência colonial com seus rivais geopolíticos Rússia e China.

No domingo (2), ele afirmou ter recebido apoio de Moscou e Pequim quando se queixou a eles dos Estados Unidos. Ele ainda disse que irá rever o Acordo Intensificado de Cooperação de Defesa entre as Filipinas e os EUA.

O acordo, assinado em 2014, garante a tropas norte-americanas algum acesso a bases filipinas, e lhes permite montar instalações de armazenamento para segurança marítima e para operações humanitárias e de reação a desastres.

Duterte disse que os EUA deveriam ter apoiado as Filipinas no enfrentamento de seus problemas crônicos das drogas, mas que ao invés disso o criticaram pelo alto saldo de mortes, como fez a União Europeia.

Relações bilaterais

A retórica de Duterte, vai contra as relações calorosas entre os dois países, e os Estados Unidos não receberam nenhum comunicado do governo filipino sobre mudanças nessa relação, disse a Casa Branca nesta terça.

"As linhas diplomáticas de comunicação entre os Estados Unidos e as Filipinas continuam abertas", disse o porta-voz da Casa Branca Josh Earnest, lembrando de exercícios militares conjuntos iniciados nesta terça.

"Ainda não recebemos nenhum tipo de comunicação por meio desses canais do governo filipino sobre fazer mudanças substanciais em nossa relação bilateral."