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Eleição deste domingo pode não ter vencedor claro, mas PT deve ser o maior perdedor

02/10/2016 10:24 -03 | Atualizado 02/10/2016 10:24 -03
Victor Moriyama via Getty Images
SAO PAULO, BRAZIL - MARCH 4: Former President of Brazil, Luiz Inacio Lula da Silva, attends a rally at the Partido dos Trabalhadores headquarters on March 4, 2016, in Sao Paulo, Brazil. Lula is accused of corruption and embezzlement in the Federal Police investigation involving fraud at Petrobras company. (Photo by Victor Moriyama/Getty Images)

Primeira eleição realizada sob novas regras de campanha eleitoral e de financiamento, a eleição municipal deste domingo não deve mostrar um vencedor claro após a conclusão da apuração, mas a expectativa geral é que o PT, que enfrenta um tempestade de más notícias nos últimos meses, seja o maior perdedor.

Pouco mais de 144 milhões de eleitores irão às seções eleitorais nos 5.568 municípios do país, após uma campanha ofuscada pelos montantes mais modestos destinados às candidaturas, o tempo menor de propaganda eleitoral no rádio e na TV e o turbilhão político, alimentado especialmente pelo processo de impeachment de Dilma Rousseff, que monopolizou o noticiário pouco antes do pleito.

E é justamente este turbilhão que forma quase um consenso entre observadores da cena política nacional de que o PT, partido que governou o Brasil por 13 anos, deve ser o principal derrotado quando contados os votos de uma eleição que servirá também para medir os impactos eleitorais das investigações da operação Lava Jato.

"A resposta mais óbvia é imaginar que o PT vai perder muita substância e que a máquina do PT vai chegar muito reduzida em 2018", disse o cientista político do Insper Carlos Melo.

Ao mesmo tempo, uma pergunta mais difícil de se responder é que partido poderá se declarar o grande vencedor desta eleição.

Com um novo presidente da República empossado efetivamente há apenas um mês, novas regras que mudaram drasticamente o jogo eleitoral e a fragmentação partidária que tem crescido a cada eleição, pode ser arriscado tentar antecipar quem vai levar esse troféu, se é que alguém poderá levantá-lo.

O presidente Michel Temer, do PMDB, tem evitado se envolver na disputa, alegando cautela para não melindrar partidos que compõem uma base parlamentar formada por grande número de legendas. Mas a baixa popularidade de Temer, apontada pelas pesquisas e demonstrada em vaias recentes ao presidente, pode ter desempenhado um papel nessa decisão.

Já no PSDB, outro partido que tem sido protagonista na política brasileira ao lado de PT e PMDB, a expectativa é que, se confirmadas as pesquisas de intenção de voto, os resultados nos dois maiores colégios eleitorais do Brasil --São Paulo e Minas Gerais-- fortaleçam o governador paulista, Geraldo Alckmin, e o senador mineiro Aécio Neves.

Um resultado que certamente será comemorado pelo tucanato se confirmado, mas pode embaralhar ainda mais a definição do candidato tucano à Presidência da República em 2018, com chances de um racha mais profundo dentro do partido.

Diante de um cenário tão nebuloso, provavelmente a única certeza é que lideranças de todos os partidos se debruçarão a partir de segunda-feira sobre os resultados da apuração para traçar estratégias em cidades onde haverá segundo turno daqui a quatro semanas, mas principalmente para entender os impactos das novas regras e do momento político atual para começar a colocar as peças no tabuleiro para 2018.

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