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Comissão de Ética da Presidência abre investigação contra Alexandre de Moraes

27/09/2016 19:28 -03 | Atualizado 27/09/2016 19:28 -03
ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
Brazilian Justice Minister Alexandre de Moraes attends the inauguratioon ceremony of International Police Cooperation Center (CCPI) in Brasilia, on August 1, 2016. The centre will work during the Olympic and Paralympic Games in Rio de Janeiro, which will take place from August 5-21 and September 7-18 respectively.. / AFP / ANDRESSA ANHOLETE (Photo credit should read ANDRESSA ANHOLETE/AFP/Getty Images)

A Comissão de Ética Pública da Presidência (CEP) abriu nesta terça-feira (27) um processo para investigar o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, após ele sugerir que teria informações privilegiadas sobre operações da Polícia Federal.

No domingo à noite, às vésperas da 35ª fase da Operação Lava Jato, Moraes afirmou, em encontro com integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), que "teve a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim", de acordo com o jornal O Estado de São Paulo.

Na manhã desta terça-feira, o presidente Michel Temer chamou atenção do ministro em rápida reunião no Palácio do Planalto. Ele já havia cobrado mais cuidado durante conversas por telefone, mas avaliou que demiti-lo seria uma admissão oficial de que Moraes sabia sobre a ação da Polícia Federal.

Moraes terá dez dias para prestar informações ao colegiado, que abriu processo após denúncia do líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA).

"Essa é uma matéria que não apenas deriva do código de conduta, como da lei de conflito de interesses", afirmou o presidente da CEP, Mauro Menezes.

"Não preocupa apenas a comissão, mas a Advocacia-Geral da União, a Controladoria-Geral da União, todos os órgãos de controle, a Justiça Eleitoral. Há preocupação grande para evitar que qualquer autoridade se valha da sua condição para obter dividendos político-eleitorais por conta do cargo", completou.

O secretário de comunicação de Temer, Márcio de Freitas, também é investigado pela comissão. A acusação é de ter recebido R$ 240 mil da Fundação Ulisses Guimarães, ligada ao PMDB, enquanto era assessor de Temer na vice-presidência.

Em sua punição máxima, a Comissão de Ética da Presidência pode sugerir a exoneração de ministros.

Moraes negou ter informações privilegiadas e afirmou que a afirmação foi “genérica”. A Polícia Federal e o Ministério da Justiça também divulgaram nota em que reiteram que o ministro não interfere nas investigações.

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