ENTRETENIMENTO

Bruno Barreto sobre escolha de 'Pequeno Segredo': 'Me arrependo de não ter cancelado a votação'

15/09/2016 16:14 -03 | Atualizado 15/09/2016 16:14 -03
Dominique Charriau via Getty Images
BERLIN, GERMANY - FEBRUARY 11: Director Bruno Barreto attends the 'Reaching For The Moon' Photocall during the 63rd Berlinale International Film Festival at the Grand Hyatt Hotel on February 11, 2013 in Berlin, Germany. (Photo by Dominique Charriau/WireImage)

Segundo o cineasta Bruno Barreto, 61, o resultado de Pequeno Segredo como representante do Brasil no Oscar poderia ter sido diferente.

"Me arrependo de não ter cancelado a votação", disse em entrevista ao Estadão.

O diretor contou que dois membros faltaram ao encontro no qual houve a discussão sobre as obras inscritas: Adriana Rattes, ex-secretária de Cultura do Rio, e a cineasta Carla Camurati, votaram à distância.

"Isso teve influência no resultado final", disse o diretor.

Barreto presidiu a comissão da Secretaria do Audiovisual (SAv), do Ministério da Cultura (MinC), cuja votação selecionou o filme de David Schurmann – em vez do então predileto Aquarius, de Kleber Mendonça Filho.

Desde o anúncio de Pequeno Segredo como o representante brasileiro para o Oscar de 2017, no último dia 12, a escolha tem gerado discussão acalorada.

O filme de Mendonça Filho tem relacionamento complicado com o governo Temer (PMDB), começando pelo protesto no Festival de Cannes em maio, no qual a equipe protestou contra o impeachment de Dilma Rousseff (PT), classificando-o como "golpe", e a posterior classificação etária de 18 anos dada ao longa pelo Ministério da Justiça. Após mais protestos, foi diminuída para 16.

Barreto, entretanto, reforçou na mesma entrevista que o resultado final é legítimo: "Está havendo um preconceito com o resultado, um 'não vi, não gostei'".

Ao jornal O Globo, ele enfatizou que não houve pressão política na decisão e que o próprio ministro da Cultura, Marcelo Calero, gostou de Aquarius.

"A ausência delas [Camurati e Rattes] me deixou muito irritado porque gera um monte de teorias de conspiração que não são verdadeiras", disse.

Votos e contratempo

A coluna de Ancelmo Gois, no mesmo jornal, descobriu o voto de cada membro da comissão.

Votaram a favor do filme de Schurmann George Torquato Firmeza, Luiz Alberto Rodrigues, Marcos Petrucelli, Paulo de Tarso Basto Menelau e Sylvia Regina Bahiense.

Já a favor da obra de Mendonça Filho, houve votos de Camurati, Rattes, Silvia Rabello e do próprio Barreto.

Petrucelli é publicamente avesso à obra do cineasta pernambucano.

A diretora do sucesso Carlota Joaquina: Princesa do Brazil (1995) contou ao Globo que não pode comparecer à discussão pois, embora já estivesse no aeroporto Santos Dumont, seu voo teve um problema de "overbooking".

Naquele momento, Aquarius e Pequeno Segredo tinham um empate de quatro votos cada; Nise – O Coração da Loucura tinha um só voto.

Camurati disse que, consensualmente, a comissão decidiu que ela poderia mandar seu voto à distância. "Poderiam ter me acionado, me dito que havia um impasse, que me esperariam chegar pra resolver", afirmou.

Barreto disse que a colega deu uma "desculpa esfarrapada". Já ela preferiu não comentar a fala do cineasta, pois o considera uma pessoal da qual "gosta muito".

"Estão tentando politizar uma decisão que não foi política, mas cinematográfica", afirmou a diretora, que também enfatizou que não houve pressão política.

Rattes avisou com antecedência que não iria ao encontro.

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