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Denunciado na Lava Jato, Lula nega irregularidades e se compara a Juscelino Kubitschek

14/09/2016 18:23 BRT | Atualizado 14/09/2016 18:23 BRT
Reprodução / Facebook

Denunciado nesta quarta-feira (14) pelo Ministério Público Federal na Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou irregularidades na compra do triplex no Guarujá. Ele chegou a se comparar com o ex-presidente Juscelino Kubitschek.

Lula foi identificado como “comandante máximo do esquema de corrupção" pelo Ministério Público Federal (MPF). Os investigadores consideram que o petista instituiu a propinocracia: uma governabilidade corrompida por meio da distribuição de propina.

No Facebook, o ex-presidente publicou uma série de documentos a fim de provar sua inocência. Lula afirma que esteve "apenas uma vez" no apartamento triplex do Edifício Solaris, em Guarujá, no litoral de São Paulo.

O petista sustenta não ser ser proprietário do imóvel e sim de um projeto da Bancoop, cooperativa do Sindicato dos Bancários de São Paulo, adquiridas por sua esposa, Marisa Letícia.

Ao se tornar insolvente, a cooperativa transferiu imóveis inacabados para a construtora OAS, investigada na Lava Jato. De acordo com a defesa de Lula, a família do ex-presidente investiu R$ 179.650,80 na compra da cota e a transferência foi declarada à Receita Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em nota, os advogados de Lula classificaram a denúncia como "baseada em peça jurídica de inconsistência cristalina" e criticaram a atuação do procurador da República Deltan Dallagnol.

De acordo com os defensores, o MPF não apresentou provas e promoveu um "espetáculo de verborragia" em um "discurso farsesco". "O crime do Lula para a Lava Jato é ter sido presidente da República", diz o texto.

"Para sustentar o impossível – a propriedade do apto 164-A, Edifício Solaris, no Guarujá – a Força Tarefa da Lava Jato valeu-se de truque de ilusionismo, promovendo um reprovável espetáculo judicial- midiático. O fato real inquestionável é que Lula e D. Marisa não são proprietários do referido imóvel, que pertence à OAS", continuam os advogados.

Um dos responsáveis pela defesa de Lula, o advogado Cristiano Zanin Martins afirmou que o "imóvel não pertence e jamais pertenceu ao ex-presidente Lula ou a qualquer de seus familiares. Eles nunca usaram esse apartamento. Lula esteve no local uma vez e nunca mais voltou. Marisa e o filho estivera lá e recusaram o apartamento".

De acordo com o defensor, Marisa Letícia pede à Justiça a devolução desses valores e o cenário apresentado pela defesa "com base em provas, manifestações do MPF e decisões judiciais é incompatível com a narrativa da Lava Jato".

O presidente do PT, Rui Falcão, também saiu em defesa do correligionário. Para ele, há uma tentativa em curso de “interditar” o ex-presidente politicamente. Lula é possível candidato à Presidência em 2018.

"Se houver um mínimo de Justiça, esta denúncia não deveria ser acatada. Está mais que comprovado que o presidente Lula não é proprietário de apartamento, nunca se beneficiou ilegalmente de nada usando seu cargo. É mais um episódio de perseguição, pela notícia que vimos até o momento", afirmou após a primeira etapa da reunião do Conselho Político da Presidência do PT, que contou com a presença de Lula.

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