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Governo admite erro ao minimizar protestos durante o 7 de setembro, diz Folha

08/09/2016 16:57 -03 | Atualizado 08/09/2016 16:57 -03
YASUYOSHI CHIBA via Getty Images
Supporters of Brazil's Dilma Rousseff demonstrate against new Brazilian President Michel Temer with signs reading 'Temer out', after Rousseff was stripped of the country's presidency by a Senate impeachment vote in Rio de Janeiro, Brazil, on August 31, 2016. / AFP / YASUYOSHI CHIBA (Photo credit should read YASUYOSHI CHIBA/AFP/Getty Images)

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, admitiu que foi um erro do governo ao ter minimizado os protestos ocorridos ontem (7), durante o desfile em Brasília e na cerimônia de abertura da Paralimpíada, no Rio de Janeiro.

"Quero fazer um mea culpa", disse o ministro ao jornal Folha de S. Paulo. "Todo protesto deve ser respeitado, é algo natural da democracia e assim deve ser tratado."

Ontem, durante o desfile de Sete de Setembro, Padilha disse que os gritos "fora Temer" e as vaias vieram de um pequeno grupo de cerca de 18 pessoas, num público estimado em 18 mil.

Michel Temer também foi vaiado enquanto declarava a abertura da Paralimpíada. "Declaro abertos os Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeiro-2016", disse o presidente, com muitas vaias e gritos "fora Temer".

Segundo Padilha, o governo vai tentar separar a "luta política dos protestos das manifestações que têm uma pauta de reivindicações". Quando acontecer protesto com pauta de reivindicação, o ministro disse que vai chamar as pessoas para conversar no Palácio do Planalto e buscar uma negociação.

Já se a manifestação for puramente política, como protestos contra o impeachment de Dilma Rousseff, "não há o que fazer."

Desde o afastamento definitivo de Dilma, no fim de agosto, centenas de milhares de pessoas foram às ruas de diversas capitais.

Em sua viagem à China para a reunião do G20, Temer chegou a chamar de "inexpressivos" e "grupos mínimos" os movimentos que protestavam contra seu governo.

"São pequenos grupos, parece que são grupos mínimos, né?", disse à Folha. "Não tenho numericamente, mas são 40, 50, 100 pessoas, nada mais do que isso. Agora, no conjunto de 204 milhões de brasileiros, acho que isso é inexpressivo."

Ele também disse que as manifestações não eram democráticas.

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