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Sob influência de Renan, senadores do PMDB votam contra perda de direitos de Dilma

31/08/2016 15:37 -03 | Atualizado 31/08/2016 15:37 -03
ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
Brazil's Senate president Renan Calheiros is pictured during the Senate's debate impeachment trial against Brazil's suspended president Dilma Rousseff at the National Congress in Brasilia, on August 30, 2016. Rousseff faces judgment Tuesday in a Senate vote expected to remove her from office despite her dramatic claim of being the victim of a coup. The country's first female president confronted her accusers in a marathon session Monday, telling the Senate that she is innocent and warning that the Brazilian democracy is in danger. She is accused of having taken illegal state loans to patch budget holes in 2014, masking the country's problems as it slid into its deepest recession in decades. / AFP / ANDRESSA ANHOLETE (Photo credit should read ANDRESSA ANHOLETE/AFP/Getty Images)

O presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB), votou pela primeira vez nesta quarta-feira (31) no processo de julgamento de Dilma Rousseff, afastada definitivamente do Presidência da República.

Após se abster nas duas primeiras votações na Casa, a última delas que admitiu a abertura do processo, o pemedebista se posicionou: foi favorável ao impeachment da petista.

Renan foi o grande influenciador dos pemedebistas que, apesar terem votado a favor do impeachment de Dilma, foram contrários a perda de seus direitos políticos.

O presidente do Senado afirmou em plenário que "não é da Constituição inabilitar a presidente da República como consequência de seu afastamento" antes de declarar que votaria contra a perda dos direitos políticos de Dilma Rousseff.

Ao todo, 16 senadores votaram sim pelo impeachment, e não pela perda de direitos políticos de Dilma. Metade desses são do PMDB. São eles: Acir Gurgacz (PDT-RO), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), Cidinho Santos (PR-MT), Cristovam Buarque (PPS-DF), Edison Lobão (PMDB-MA), Eduardo Braga (PMDB-AM), Hélio José (PMDB-DF), Jader Barbalho (PMDB-PA), João Alberto Souza (PMDB-MA), Raimundo Lira (PMDB-PB), Renan Calheiros (PMDB-AL), Roberto Rocha (PSB-MA), Rose de Freitas (PMDB-ES), Telmário Mota (PDT-RR), Vicentinho Alves (PR-TO) e Wellington Fagundes (PR-MT).

Outros três se abstiveram: Eunício Oliveira (PMDB-CE), Maria do Carmo (DEM-SE) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

'A democracia nos corrigirá'

Com o voto de Renan, o placar antes apertado, chegou a 61 votos favoráveis ante 20 contrários - eram necessários 54 para que a presidente perdesse o poder. A posição de Renan deu ainda mais força aos senadores do PMDB favoráveis ao impeachment.

"Podemos estar cometendo um erro seja qual for o veredicto que adotemos? Sim, mas essa é a grande insofismável verdade. Eis aqui a grandeza da democracia. (...) Se errarmos, a democracia nos corrigirá, e o povo nos corrigirá", declarou Renan no plenário antes da votação.

O presidente do Senado também pediu desculpas aos brasileiros por "qualquer atitude mais contundente ou emocional". Durante a fase final do julgamento, ela afirmou: "Eu fico muito triste porque essa sessão é uma demonstração de que a burrice é infinita", disse antes de bater boca com senadores.

Já na segunda votação, que definiu sobre a inelegibilidade de Dilma, Renan foi favorável a Dilma manter seus direitos políticos. Ou seja, apesar de cassada do mandato, ela ainda pode se candidatar a cargos públicos.

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