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Miguel Reale Júnior critica defesa de Dilma e diz para senadores ficarem 'tranquilos' com votação

30/08/2016 12:41 BRT | Atualizado 30/08/2016 12:41 BRT
Reprodução TV Senado/Getty Images

Durante a sessão de julgamento do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, nesta terça-feira (30), o advogado da acusação, Miguel Reale Júnior, criticou a conduta de Dilma como presidente e disse aos senadores terem a "consciência tranquila" para votarem pelo afastamento definitivo, pois não só seguirão o rito, como seguirão "a justiça substancial e material".

O advogado começou o discurso afirmando que ficou "chocado" com o depoimento que Dilma fez ontem. Segundo ele, a impressão é de que a presidente da República está "de costas para a nação", uma vez que os protestos nasceram das ruas.

Ele também diz que houve crime de responsabilidade, como as pedaladas fiscais, e que a presidente "se sobrepôs" ao Congresso no caso dos decretos de créditos suplementares.

Reale Júnior chamou o governo da petista de "desgoverno" e afirmou que os brasileiros não querem mais isso. "O País não quer mais isso (...) O País confia em si mesmo e confia nas suas instituições, que confia na coragem de Janaína Paschoal."

O advogado também retrucou a defesa de Dilma, que afirma que o impeachment é desproporcional e injusto. Segundo ele, as instituições brasileiras, sobretudo o Senado Federal, têm "estatura moral para impor essa condenação".

"Tenho serenidade mais absoluta, mais clara, de que não estão fazendo nenhuma injustiça. Estão fazendo a mais clara e certa justiça."

Ele afirma também que há razoabilidade e proporcionalidade no processo para retirar Dilma do cargo "que não merece mais".

"Essa crise gravíssima justifica. Tenham a consciência tranquila que seguiram não só o devido processo, mas seguem a justiça substancial e material ao aplicar a pena de afastamento da presidente da República. Justa e proporcional."

Reale também pede que os senadores ouçam a "sociedade brasileira", que foi para as ruas ao perceber que "havia descaso". "Queremos um Brasil sério (...), em nome dessa seriedade, essa Casa vai estabelecer, sim, a punição."

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