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Justiça alemã proíbe estudante de usar véu muçulmano em sala de aula

23/08/2016 09:50 -03 | Atualizado 23/08/2016 09:50 -03
Khaled Abdullah Ali Al Mahdi / Reuters
A woman whispers to another as they take part in a demonstration to demand that relatives of former President Ali Abdullah Saleh be sacked from top military posts, in Sanaa November 28, 2012. REUTERS/Khaled Abdullah (YEMEN - Tags: POLITICS CIVIL UNREST MILITARY)

Em julgamento realizado nesta segunda-feira (22), a justiça alemã manteve a decisão de uma escola que proíbe uma jovem de 18 anos de frequentar as aulas usando niqab - traje muçulmano que cobre o rosto inteiro, e deixa apenas os olhos a mostra.

De acordo com a agência RT, o argumento da instituição de ensino foi de que o véu iria impedir o aprendizado da garota - que não compareceu ao julgamento para evitar o assédio da imprensa.

A decisão judicial foi anunciada poucos dias depois que a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que a burca - traje diferente do niqab, mas que também cobre todo o corpo - é um "obstáculo à integração".

De acordo com a imprensa local, a jovem nasceu e foi criada na Alemanha. A decisão é a primeira que proíbe o uso de um traje religioso em espaço público.

Segundo o Independent, o julgamento do caso é especialmente complexo porque confronta dois princípios constitucionais da Alemanha: o de que cada estado pode decidir as regras de ensino, e o da liberdade religiosa.

A escola argumenta que não pode garantir o aprendizado pleno da estudante, que frequenta as aulas desde o mês de abril. Ainda de acordo com os advogados da instituição de ensino, o uso do niqab também é um obstáculo para identificar a jovem.

Segundo a escola, a comunicação entre professores e alunos é baseada "não apenas na palavra falada, mas também em elementos não verbais e linguagem corporal".

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