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'Visivelmente, eu errei na escolha do meu vice', diz Dilma Rousseff em entrevista a imprensa internacional

19/08/2016 11:32 -03 | Atualizado 19/08/2016 11:32 -03
ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
Suspended Brazilian President Dilma Rousseff, during the reading of her letter to the Brazilian people and senators, at Alvorada Palace in Brasilia, on August 16, 2016. The final phase of the impeachment process against Rousseff will begin in the Brazilian senate on August 25. / AFP / ANDRESSA ANHOLETE (Photo credit should read ANDRESSA ANHOLETE/AFP/Getty Images)

A presidente afastada, Dilma Rousseff, reconheceu entre os erros que cometeu a escolha do presidente em exercício, Michel Temer, como vice em sua chapa.

“Posso dar dois exemplos (...) O político é que visivelmente eu errei na escolha do meu vice-presidente... isso é óbvio", afirmou Dilma em entrevista a agências internacionais nesta quinta-feira (18).

A petista também admitiu equívocos na área econômica. "Todo o processo que fizemos de redução de imposto beneficiando o setor empresarial não resultou em ganhos para o conjunto da economia”, disse.

Impeachment

Dilma garantiu que participará de todas as etapas do processo de impeachment. No dia 29, ela fará a defesa pessoalmente no plenário do Senado durante o julgamento final. “Seria um equívoco monumental entregar a democracia como campo de debate para outro, para os golpistas."

Ela comparou o atual processo político ao golpe militar de 1964. “No caso deste aqui, que a literatura chama de golpe parlamentar, não é como um machado que corta a árvore da democracia (...) É como se parasitas e fungos a infestassem", afirmou.

Lava Jato

A presidente afastada classificou o PT como alvo de criminalização e de tentativas de aniquilação e disse que "não há hipótese" de a sigla desaparecer. Ela disse ainda que o governo petista contribuiu para investigação e combate à corrupção.

Por outro lado, Dilma disse que irá se defender das acusações a que responde e voltou a criticar gravações telefônicas entre ela e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que originaram o inquérito autorizado nesta semana pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com ela, em “nenhum país do mundo” pode-se gravar um presidente da República sem autorização.

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