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'Tenho um pai no céu e um na terra, que é meu técnico', diz Thiago Braz Silva

16/08/2016 18:25 -03 | Atualizado 16/08/2016 18:25 -03
Paul Gilham via Getty Images
RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 15: Thiago Braz da Silva of Brazil reacts while competing in the Men's Pole Vault final on Day 10 of the Rio 2016 Olympic Games at the Olympic Stadium on August 15, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Paul Gilham/Getty Images)

Para o campeão e novo recordista olímpico do salto com vara, Thiago Braz, o técnico ucraniano Vitaly Petrov, que já treinou as lendas da modalidade Sergei Bubka e Yelena Isinbayeva, é a figura paterna que faltava em sua vida.

Criado pelos avós, Thiago teve no tio praticante de decatlo um motivador para iniciar as práticas esportivas, mas a figura paterna chegou com o renomado treinador.

"Vivo com meus avós desde os 2 anos de idade. Meus pais eram muito jovens quando me tiveram. Eles brigavam bastante, não sei da realidade por completo, mas fui morar com meus avós e eles foram parte fundamental na minha vida", disse o saltador em entrevista coletiva na Casa do Time do Brasil, poucas horas após superar o recordista mundial Renaud Lavillenie, da França, para levar o ouro olímpico no Rio.

“Como tenho um pai no céu, tenho um pai na terra, que é meu técnico. Ele tem me ajudado muito, foi ele que confiou que eu podia saltar alto. Ele foi a peça fundamental para ganhar a medalha”, acrescentou o atleta, que é religioso.

O salto de 6,03 metros na final olímpica, o melhor da carreira do paulista de 22 anos, é motivo de orgulho para o treinador, que revelou ser bastante duro com o brasileiro nos treinamentos.

“Não adianta só treinar e ir para casa, preciso ser um pouco pai, um pouco ditador, um pouco amigo. É o que tenho feito nos últimos meses”, disse Petrov, de 78 anos, que no ano passado convidou Thiago para se mudar para a Itália e treinar na cidade de Fórmia.

“Todo atleta que vem para mim sabe que não é fácil treinar comigo, mas ele traçou o objetivo de aguentar o treino para alcançar o objetivo que tinha”.

A meta de ambos era conquistar no mínimo a medalha de bronze, mas ao perceber uma possível medalha de prata, a tática foi alterada para tentar a glória e Thiago forçou um salto mais alto do que já havia realizado.

“A gente sabia que estava preparado para fazer um bom salto e ontem tudo deu certo... Chegou a 5,93m e comecei a acordar para a prova e ver que podia brigar por uma outra cor de medalha. Eu queria no mínimo pegar o bronze”, disse Thiago.

“Teve momentos que eu vi que já estava com a prata, mas eu tinha mais três tentativas. Por que não tentar um ouro?”.

Para levar o ouro o brasileiro superou o francês Lavillenie, recordista mundial da prova com 6,16m, em uma final marcada por atrasos provocados pela forte chuva que caiu no Estádio Olímpico do Rio.

O francês Renaud, vaiado pela torcida brasileira durante a disputa, comparou as vaias à hostilidade da Alemanha nazista com Jesse Owens nos Jogos de Berlim de 1936. Ele posteriormente pediu desculpas.

Para Thiago, as vaias ao francês podem realmente ter atrapalhado o adversário, enquanto ele usou a força da torcida, e o fato de estar em casa, para não perder o foco.

"Acho que atrapalhou o francês, a gente está em casa. Para mim é um privilégio, para ele é uma pressão. Mas tinha a torcida organizada para ele que estava dando um ar de esperança e também um ar de primeiro lugar para ele. Mas a torcida brasileira foi extraordinária", disse.

"A torcida me ajudou muito. Fiquei muito surpreso, me arrepiei. Fiquei emocionado, mas tentei manter a concentração, o equilíbrio. O que vi na classificação é que não poderia perder o equilíbrio. Se tivesse me levado pela emoção, talvez não estivesse com o ouro aqui hoje”.

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