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Atleta do Kuwait ganha 1º OURO dos independentes: 'Por que a bandeira do meu país não estava lá?'

10/08/2016 20:54 -03 | Atualizado 10/08/2016 20:54 -03
MARWAN NAAMANI via Getty Images
Kuwait's Fehaid al-Deehani, bronze medalist in the men's trap final at the London 2012 Olympic Games jubilatees at the podium at the Royal Artillery Barracks in London on August 6, 2012. AFP PHOTO/MARWAN NAAMANI (Photo credit should read MARWAN NAAMANI/AFP/GettyImages)

Imagine você ser o primeiro atleta a conquistar uma medalha de ouro olímpica para o seu país, mas, ao mesmo tempo, não poder comemorá-la, pois a sua nação foi suspensa das Olimpíadas. Sentimentos difíceis de lidar, não é mesmo?

Essa foi a realidade do inédito ouro dos atletas independentes, conquistado por Fehaid Al Deehani, do Kuwait. O atleta foi o campeão do tiro em dois pratos nesta quarta-feira (10). Mas no lugar de um uniforme com a bandeira e o hino nacional, o kuwaitiano se vestiu com uma roupa preta como se estivesse de luto por seu país ter sido proibido de participar dos jogos pelo Comitê Olímpico Internacional.

O Estado do Kuwait está banido do cenário esportivo internacional desde outubro de 2015, quando a Fifa e o COI anunciaram sua suspensão devido à interferência governamental local nas entidades esportivas.

Mas isso não impediu que Al Deehani fizesse deixasse sua marca registrada na História. O atirador, de 49 anos, conquistou o bronze nas últimas duas Olimpíadas. Agora, como atleta independente, ele venceu a competição, mas não escondeu a emoção e a tristeza de não poder viver a sua vitória com os símbolos nacionais:

"É muito triste. Não consigo descrever o meu sentimento. Realmente dói muito estar no primeiro lugar do pódio sem a bandeira. É muito ruim. Mal consegui segurar as lágrimas. Me senti muito triste. Por que a bandeira do meu país não estava lá? Fiquei muito triste, porque esse era o momento para estar. Eu senti que ia chorar, mas no último momento segurei. A medalha foi para o meu país, o povo que não queria que nós participássemos desta Olimpíada. Estou mostrando para eles que estamos aqui e ganhamos a medalha."

Após a suspensão do país árabe, o atirador e outros sete atletas conterrâneos foram liberados para competir como independentes durante a Rio 2016.

"Me sinto orgulhoso porque representei meu país duas vezes sob a sua bandeira e tenho duas medalhas antes dessa. Essa é a minha primeira de ouro. Não posso descrever minha felicidade com essa conquista. Espero que na próxima Olimpíada nosso país possa voltar."

O feito de Al Deehani é bastante simbólico. Antes dele apenas outros três atletas independentes haviam conquistado medalhas em Olimpíadas.

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