NOTÍCIAS

Refugiada congolesa, Yolande Mabika perde no judô, mas FAZ HISTÓRIA na Rio 2016

10/08/2016 11:00 BRT | Atualizado 10/08/2016 11:00 BRT
Toru Hanai / Reuters
2016 Rio Olympics - Judo - Preliminary - Women -70 kg Elimination Rounds - Carioca Arena 2 - Rio de Janeiro, Brazil - 10/08/2016. Yolande Bukasa Mabika (ROT) of Refugee Olympic Athletes and Linda Bolder (ISR) of Israel compete. REUTERS/Toru Hanai FOR EDITORIAL USE ONLY. NOT FOR SALE FOR MARKETING OR ADVERTISING CAMPAIGNS.

Em sua estreia no judô, Yolande Bukasa, da Equipe Olímpica de Atletas Refugiados foi desclassificada pela israelense Linda Bolder na primeira rodada da categoria até 70kg.

Muito emocionada, a judoca disse à SporTV estar muito feliz. "Me preparei muito para passar, mas acabei perdendo".

"Chegar até aqui já me deixa feliz. É o sonho de todo atleta. Muita gente estava esperando uma vitória minha. Muito obrigada."

E, de fato, chegar até aqui não foi nada fácil. Vivendo no Rio desde 2013, ela foi separada dos pais ainda criança. De acordo com seu relato, são poucas as lembranças que ela tem, além de correr sozinha e ser pega por um helicóptero que a levou para a capital da República Democrática do Congo, Kinshasa.

Foi em um centro de crianças deslocadas que ela descobriu o judô. O judô nunca me deu dinheiro, mas me deu um coração forte”, diz ela. “Eu fui separada da minha família e costumava chorar muito. Comecei com o judô para ter uma melhor vida”.

A chegada ao Brasil também não foi fácil. "Passei muito sofrimento. Dormia na rua, ficava com fome, não sabia falar. Até que um dia me ajudaram, me disseram que tinham outros africanos por aqui. Foram dois anos de sofrimento, dormindo na casa das pessoas, em condição difícil", lembra a judoca em entrevista ao HuffPost Brasil.

“Espero que minha história seja um exemplo para todos, e talvez a minha família me veja e possamos estar juntos novamente”.

Dentro e fora dos tatames, Yolande, você é nosso exemplo, e tem nossa torcida, incondicionalmente.

LEIA TAMBÉM:

- Judocas vieram ao Rio para fugir da guerra civil no Congo. E vão defender os refugiados nas Olimpíadas

- O poder do esporte: 200 mil refugiados vão assistir às Olimpíadas no Quênia

- 'Nadar é minha vida, e a piscina é minha casa', diz nadador do time dos refugiados