LGBT

Trans, índios, mulheres e negros. Esta será a Olimpíada da Representatividade

05/08/2016 18:55 -03 | Atualizado 05/08/2016 18:55 -03
Getty Images/Westend61

Nem bem começaram os jogos e já temos motivos de orgulho para esta Olimpíada. Ao que tudo, indica o evento já pode ser considerado medalha de ouro quando o assunto é representatividade.

A Rio 2016 teve a maior porcentagem de mulheres atletas da História até agora: mais de 45%. O olhar atento será todo nas nossas heroínas dos campos e quadras, que têm grandes chances de medalhas seja no futebol, no vôlei, na vela, nas lutas ou na ginástica.

Além disso, o COI publicou as diretrizes para que os atletas transgêneros possam competir sem a necessidade de cirurgia.

Quando se trata de falar abertamente sobre sua orientação sexual, mais de 40 competidores declararam-se orgulhosos de fazer parte do time LGBT. Não suficiente, rolou até um beijo gay durante o revezamento da tocha!

Fernando Meirelles, um dos maiores cineastas brasileiros e diretor da cerimônia de abertura do evento, publicou tuítes que exemplificam muito bem sobre o que estamos falando:

E não para por aí. Se Lea T vai fazer história como a primeira transexual a fazer parte da cerimônia de abertura de um evento olímpico, Camila Barros, também trans, assume posição de liderança frente a uma equipe de voluntários que vão trabalhar diariamente em Copacabana atendendo ao púbico e aos atletas das provas de ciclismo e maratona aquática.

Em entrevista ao HuffPost Brasil, a voluntária não escondeu o orgulho de estar contribuindo para as Olimpíadas.

"A organização está de parabéns, sempre me trataram com respeito e igualdade. Olimpíadas é isso. É diversidade. Eu sempre fui envolvida com os esportes e sempre pratiquei. Acredito que o esporte seja um dos poucos espaços em que o preconceito ainda é menor, apesar de eu nunca ter participado de competições de alto rendimento. Estou ansiosa para trabalhar!"

Mas se hoje Camila fala com alguma leveza e tranquilidade sobre o preconceito, é porque desde que assumiu sua transexualidade ela enfrenta muita violência.

"Os desafios são diários, principalmente com as pessoas desconhecidas na rua. São olhares e piadinhas transfóbicas, mas eu aprendi a lidar na esportiva."

Foi após a morte do pai que ela resolveu tomar hormônio e implantar silicones para modificar o seu corpo. "Eu sempre tive vontade, mas não tinha coragem de mudar com ele vivo. Tinha medo de como seria a sua reação. Mas eu sempre tive o apoio da minha mãe e o carinho da minha família", comentou.

A partir da mudança, sua principal dificuldade foi a de encontrar um emprego. As difíceis condições de ser trans no Brasil fizeram que Camila começasse a trabalhar como garota de programa nas ruas do Rio de Janeiro.

Sua história é similar a de tantas outras pessoas que nunca se viram como referências em eventos do porte das Olimpíadas. Por isso não há como questionar o quão simbólico é o fato de ela agora, juntamente com outros 50 mil voluntários, estarem ganhando espaço.

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