MULHERES

Todo homem precisa ler este ensaio de Barack Obama sobre o feminismo

05/08/2016 15:59 -03 | Atualizado 05/08/2016 15:59 -03
Carlos Barria / Reuters
U.S. President Barack Obama smiles next to his daughters Sasha (L) and Malia (R) at the pardon of the National Thanksgiving Turkey event in the Rose Garden of the White House in Washington November 25, 2015. REUTERS/Carlos Barria

O presidente dos EUA, Barack Obama, é feminista e não tem medo de falar isso ao mundo.

Em um ensaio cheio de convicção que publicou na revista Glamour, o presidente dos Estados Unidos escreveu sobre o impacto negativo que os estereótipos de gênero rígidos exercem sobre pessoas de todas as identidades de gênero, todas as identidades raciais e as identidades sexuais – além da importância especial que tem o “feminismo do século 21” em um ano eleitoral em que os democratas escolheram uma mulher como sua candidata à Presidência e os republicanos optaram por um loiro oxigenado misógino e artificialmente bronzeado.

Obama escreveu sobre sua própria relação com o feminismo e pediu aos homens que adiram à causa: “Combater o sexismo é totalmente responsabilidade dos homens também. E, como maridos, companheiros e namorados, precisamos batalhar e fazer questão de criar relacionamentos pautados pela igualdade real.”

O texto do presidente fala dos avanços feitos nos últimos 100 anos nos Estados Unidos. Mas é claro que avanços conquistados não significa que se tenha chegado à paridade de gêneros. Na verdade, como Obama reconhece, ainda estamos muito longe disso sob vários aspectos. Ainda existe uma disparidade salarial notável entre homens e mulheres, e essa disparidade pesa desproporcionalmente sobre as mulheres de cor. A violência sexual contra mulheres (e homens) nem sempre é denunciada e levada à justiça. As mulheres de cor ainda estão sub-representadas nos níveis mais altos do governo, das empresas e da tecnologia. E a lista continua.

As mensagens abaixo são surpreendentes, vindas do presidente (homem) dos Estados Unidos:

Precisamos continuar a mudar a atitude de criar nossas filhas para ser recatadas e nossos filhos para serem assertivos, que critica nossas filhas para falarem o que pensam e nossos filhos por derramarem uma lágrima. Precisamos continuar a mudar a atitude que pune as mulheres pela sexualidade delas e premia os homens pela deles.

Precisamos continuar a mudar a atitude que permite o assédio rotineiro de mulheres, quer estejam andando na rua ou ousando navegar na internet. Precisamos continuar a mudar a atitude que ensina os homens a sentir-se ameaçados pela presença e o sucesso das mulheres.

Precisamos continuar a mudar a atitude que parabeniza os homens por trocarem uma fralda, que estigmatiza os homens que cuidam dos filhos em tempo integral e que penaliza as mães que trabalham fora de casa. Precisamos continuar a mudar a atitude que valoriza a autoconfiança, competitividade e ambição no trabalho – a não ser que a pessoa seja mulher. Precisamos continuar a mudar uma cultura que lança uma luz especialmente áspera sobre meninas e mulheres de cor.

Obama falou de como essas lacunas e esses casos de dois pesos e duas medidas estão presentes em sua própria vida e nas vidas de suas filhas, Sasha e Malia. Como pai de duas meninas, o presidente reconheceu que a igualdade de gêneros virou uma causa ainda mais pessoal para ele.

“É importante que o pai delas seja feminista, porque agora é isso o que elas esperam de todos os homens”, ele escreveu.

E, no meio de uma eleição em que estamos vendo a misoginia sendo empregada como estratégia de campanha, a frase de Obama lembrando que “o importante nunca foram apenas os Benjamins*, mas também as Tubmans” parece especialmente válida.

Obrigada, Barry.

Leia o ensaio completo de Obama (em inglês) na Glamour.

*Nota da Tradutora: Benjamins (de Benjamin Franklin) são as cédulas de US$100, e Tubmans (de Harriet Tubman, abolicionista negra americana) são as cédulas de US$20.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.