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Ex-presidente da Queiroz Galvão é preso em nova fase da Operação Lava Jato

02/08/2016 11:47 -03 | Atualizado 02/08/2016 11:47 -03
Rodolfo Buhrer / Reuters
Othon Zanoide (2nd R), director of industrial company Queiroz Galvao SA, leaves the Federal Police after a provisional arrest of five days in Curitiba, Parana state November 18, 2014. A graft investigation at Brazilian state-run oil company Petroleo Brasileiro SA is hurting the credit outlook for major suppliers accused of participating in the alleged bribery scheme, Moody's Investors Service said on Tuesday. According to local media, Zanoide and ten others alleged to be involved in the graft scandal have freedom with restrictions and are forbidden to change their residential address or leave the country of Brazil. REUTERS/Rodolfo Buhrer (BRAZIL - Tags: BUSINESS ENERGY CRIME LAW CONSTRUCTION)

Deflagrada nesta terça-feira (2), a 33) fase da Operação Lava Jato tem como alvo a construtora Queiroz Galvão e sua participação no chamado cartel das empreiteiras. A empresa é suspeita de ter pago R$ 10 milhões ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, que morreu em 2014.

Batizada de "Resta Um", a operação atinge os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás, Pernambuco e Minas Gerais. Cerca de 150 policiais federais cumprem dois mandados de prisão preventiva, um de prisão temporária, seis de condução coercitiva e 23 de busca e apreensão.

O ex-presidente da Queiroz Galvão Ildefonso Colares Filho e o ex-diretor Othon Zanoide Moraes Filho foram presos preventivamente. Ambos já haviam sido detidos durante a sétima fase da operação, em novembro de 2014, mas foram soltos após decisão da Justiça.

A PF ainda cumpre mandado de prisão temporária contra Marcos Pereira Reis, executivo da Quip.

"As investigações indicam que a Queiroz Galvão formou, com outras empresas, um cartel de empreiteiras que participou ativamente de ajustes para fraudar licitações da Petrobras", traz comunicado do Ministério Público Federal.

"Além dos ajustes e fraude a licitações, as evidências colhidas nas investigações revelam que houve corrupção, com o pagamento de propina a funcionários da Petrobras. Executivos da Queiroz Galvão pagaram valores indevidos em favor de altos funcionários das diretorias de Serviços e de Abastecimento."

A força-tarefa da Lava Jato também informou ter identificado indícios concretos de que executivos da construtora fizeram pagamentos em dinheiro para dificultar o andamento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras no Senado, em 2009.

Em abril, o ex-senador Gim Argello foi preso na 28ª fase da Lava Jato. Ele era vice-presidente da CPI da Petrobras e foi acusado de receber pagamentos em dinheiro para evitar a convocação de executivos na comissão. Ele fechou acordo de delação premiada com a Justiça poucos dias após sua prisão.

Segundo o comunicado, o pagamento de propinas está comprovado "por farta prova documental" que corroborou a delação de pelo menos cinco pessoas, três delas dirigentes de empreiteiras.

A nova fase quer aprofundar também a investigação de pagamento de milhões de dólares de propinas em contas secretas no exterior. Quer ainda conseguir mais provas sobre a obstrução à investigação realizada pela CPI da Petrobras em 2009.

A Queiroz Galvão ainda não se pronunciou sobre a operação.

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