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Prestes a ser cassado, Eduardo Cunha prepara dossiê sobre aliados de olho em delação

02/08/2016 16:01 BRT | Atualizado 02/08/2016 16:01 BRT
EVARISTO SA via Getty Images
The president of the Lower House, Eduardo Cunha, speaks to the press at the Lower House's official residence in Brasilia on May 5, 2016. Brazil's Supreme Court on Thursday suspended Eduardo Cunha, the powerful lawmaker at the centre of efforts to impeach President Dilma Rousseff, on grounds he tried to obstruct a probe into his alleged corruption. The speaker of Brazil's lower house of Congress is the architect of the impeachment drive expected to force Rousseff to step aside from office on Wednesday. / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Com a aproximação da votação do processo de cassação do mandato no plenário da Câmara dos Deputados, o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) reúne informações detalhadas de aliados para uma possível delação premiada, de acordo com o jornal O Estado de São Paulo.

O peemedebista está organizando um levantamento aprofundado sobre como ajudou seus aliados nos últimos anos, com informações sobre financiamento de campanhas eleitorais, distribuição de cargos e empréstimos, segundo o jornal.

Desde que o processo em que é alvo avançou no Conselho de Ética, o parlamentar tem dados sinais de que poderia colaborar com as investigações da Procuradoria-Geral da República (PGR), em um alerta a outros deputados com pendências judiciais.

Segundo o Estadão, Cunha deve aguardar o resultado da votação da cassação no plenário para depois decidir se vai aderir à delação.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RO) afirmou que só colocará o tema em votação quando houver quórum de 460 parlamentares. São necessários 257 votos para o afastamento definitivo do peemedebista.

A expectativa é de que a votação fosse na próxima semana, mas o Planalto trabalha para postergar essa data. Maia já afirmou que a prioridade do momento é apreciar matérias de interesse do governo.

O presidente interino, Michel Temer, também prefere que a situação de Cunha seja definida após o fim da discussão do impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, no Senado. Isso porque uma eventual delação pode afetar o resultado do processo de afastamento da petista.

No Twitter, Cunha negou estar elaborando o dossiê e disse que irá processar o jornal.


Réu por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava Jato, o deputado é acusado de mentir à CPI da Petrobras ao negar ter contas no exterior. Tais contas foram abastecidas com recursos desviados da Petrobras, de acordo com as investigações da PGR e da Polícia Federal.

Antes do recesso parlamentar, em 14 de julho, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) rejeitou, por 40 votos a 11, o recurso do peemedebista. Uma semana antes, Cunha renunciou à presidência da Casa em busca de se salvar. Nos bastidores, a avaliação é de que ele perderá o mandato na votação em plenário.

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