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Não é justo associar o Islã ao terrorismo, diz papa Francisco

01/08/2016 09:41 BRT | Atualizado 01/08/2016 09:41 BRT
Stefano Rellandini / Reuters
Pope Francis waves as he arrives at Saint Faustina's chapel at the Sanctuary of Divine Mercy in Lagiewniki during the World Youth Day in Krakow, Poland July 30, 2016. REUTERS/Stefano Rellandini

O papa Francisco disse que não é "verdadeiro e nem justo" associar o Islã à violência ou ao terrorismo.

"Uma coisa é certa, em quase todas as religiões sempre existe um pequeno grupo fundamentalista. Nós também temos", afirmou.

Em declaração a jornalistas a bordo do avião papal, quando voltava da Polônia, onde participou nos últimos dias da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), o argentino acrescentou que "o Estado que se define islâmico apresenta uma identidade de violência", que não pode ser ligada ao Islã, referindo-se ao grupo Estado Islâmico.

"Todos os dias, quando abro os jornais, vejo violência na Itália, alguém que mata a namorada, outro que mata a sogra. E são católicos batizados. Se falo de violência islâmica, também tenho de falar da violência cristã", disse. "Nem todos os islâmicos são violentos e nem todos os católicos são violentos. É como uma salada de frutas: tem de tudo dentro".

Na última semana, dois homens que diziam agir em nome do Estado Islâmico invadiram uma igreja na França e degolaram o padre Jacques Hamel, de 84 anos.

O Vaticano tem tomado cuidado para afastar a ideia de uma guerra religiosa e evitar novos ataques. A Santa Sé e o papa estão pedindo para os católicos se unirem a fiéis de outras religiões para combater a violência.

Religiões Unidas

Muçulmanos em várias partes da França e da Itália participaram de missas católicas no domingo (31), em um gesto de solidariedade após o assassinato do sacerdote .

O reitor da Grande Mesquita de Paris, Dalil Boubakeur, que também é o presidente do Conselho Francês da Fé Muçulmana, participou de um culto pela manhã na catedral de Notre-Dame, no centro de Paris, no domingo.

Na Basílica de Saint-Denis, nos arredores de Paris, também se reuniram centenas de católicos, mas também um grande número de muçulmanos e pessoas de outras religiões que apareceram depois que as autoridades religiosas na França pediram à população para expressar solidariedade à comunidade católica.

"Estou muito satisfeito que convidamos os muçulmanos. Nós também partilhamos a sua dor, a dor de todos aqueles que sofrem, em todos os sentidos", disse Danielle Ludon, uma mulher católica que assistiam à missa, à Reuters.

"Os sentimentos expressos foram muito, muito fortes. Alguns deles foram muito comoventes", disse ela.

Entre aqueles que participaram do serviço estava uma mulher muçulmana chamada Hayat, que veio com seus filhos e marido.

"Foi basicamente uma mensagem de unidade, além de paz, foi realmente sobre a unidade", disse ela.

Imãs representando suas comunidades muçulmanas também participaram de missas em muitas cidades e vilas italianas, incluindo Santa Maria de Roma em Trastevere e Santa Maria, em Milão.