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Autoridades turcas demitem militares e fecham veículos de mídia, diz CNN

27/07/2016 20:39 BRT | Atualizado 27/07/2016 20:39 BRT
Umit Bektas / Reuters
People shout slogans and wave Turkish national flags as they have gathered in solidarity night after night since the July 15 coup attempt in central Ankara, Turkey, July 27, 2016. The banner on the right reads "Chief (Erdogan) I came to die". REUTERS/Umit Bektas

Autoridades turcas anunciaram nesta quarta-feira (27) a demissão de mais de 1.600 militares e o fechamento de mais de 130 meios de comunicação, informou a CNN turca. As medidas agravam a repressão após uma tentativa fracassada de golpe neste mês.

O clérigo Fetullah Gullen, residente nos Estados Unidos, é apontado como o responsável pelo plano. Ele nega as acusações.

Um total de 1.684 militares foi dispensado, disse a emissora. Além disso, três agências de notícias, 16 canais de televisão e 45 jornais diários, entre outros, receberam ordens para finalizar seus serviços, acrescentou.

Segundo o HuffPost US, 47 jornalistas foram detidos sob suspeita de apoiarem o golpe militar que fracassou.

A detenção dos profissionais ordenada nesta quarta-feira envolveu colunistas e outros funcionários do jornal Zaman, agora extinto, disse um funcionário do governo.

Em março, autoridades já ameaçavam desligar o Zaman, que era visto como um canal de mídia emblemática do movimento Gullen.

"Os promotores não estão interessados no que os colunistas individuais escrevem ou dizem", disse o funcionário que pediu anonimato, segundo o HuffPost US. "Neste ponto, o raciocínio é que os funcionários de alto escalão do Zaman devem ter um conhecimento íntimo da rede Gullen e, portanto, poderiam beneficiar a investigação."

De acordo com a cúpula, erca de 1,5% das forças armadas apoiaram o movimento do clérigo, de acordo com a emissora NTV. A porcentagem representa 8.651 soldados.

Governos ocidentais e grupos de direitos humanos assumem uma posição ambígua nesse contexto. Ao mesmo tempo em que condenam o golpe abortado, em que pelo menos 246 pessoas foram mortas e mais de 2.000 feridas, expressam preocupação sobre a extensão da repressão e sugerem que o presidente Tayyip Erdogan pode usar da força para sufocar a oposição e se manter no poder.

(Com informações da agência Reuters)

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