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Ciência Sem Fronteiras de Temer exclui graduação e foca em ensino de idiomas para periferia

25/07/2016 20:01 BRT | Atualizado 25/07/2016 20:01 BRT
EVARISTO SA via Getty Images
Brazilian acting President Michel Temer announces the new rules of the housing program at Planalto Palace in Brasilia, on July 14, 2016. The Brazilian government will prioritize the delivery of houses to families with members affected by the microcephaly outbreak, linked to the Zika virus. / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

O Ministério da Educação oficializou nesta segunda-feira (25) uma mudança de enfoque no programa Ciência sem Fronteiras, lançado pela presidente afastada, Dilma Rousseff, em 2011. A partir de agora, a graduação no exterior não será mais contemplada pelo programa.

Segundo nota oficial do MEC, uma análise do governo Michel Temer concluiu que era elevado o custo da graduação sanduíche, em que o universitário brasileiro vai estudar em instituições estrangeiras. Em 2015, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) gastou R$ 3,2 bilhões para atender a 35 mil estudantes bolsistas.

O ministério diz que esse valor é "igual ao investido em alimentação escolar para atender 39 milhões de alunos" no Brasil.

A equipe técnica que examinou o Ciência sem Fronteiras concluiu que a integração das universidades brasileiras às instituições do exterior participantes deixava a desejar. Prova disso, segundo o MEC, é que disciplinas cursadas lá fora não estavam sendo aproveitadas ou aceitas pelos cursos de graduação daqui.

Em setembro do ano passado, o governo Dilma já havia suspendido abertura de vagas do programa por tempo indeterminado.

Na época, o governo estava revisando metas dos programas "considerando a realidade econômica do País".

Prioridade às língua estrangeiras

O ministro da Educação, Mendonça Filho, decidiu que o programa deverá focar agora no ensino de idiomas no Brasil e lá fora. A intenção é incluir jovens pobres que estudem em escolas públicas.

A informação já havia sido antecipada pelo jornalista Fernando Rodrigues. Segundo ele, o ministro estava interessado no redirecionamento das verbais federais para "uma parcela da população que realmente aproveitará de maneira mais eficaz a experiência de passar 1 ano no exterior".

Mendonça Filho disse ao UOL ter relatos de alunos de graduação aproveitando o intercâmbio para viajar em vez de se dedicar aos estudos.

Apesar da baixa na graduação, o Ciência sem Fronteiras continuará mantendo as bolsas de pós-graduação para alunos, professores e pesquisadores.

O MEC afirma que a atual gestão já liberou mais de R$ 1 bilhão para pagar bolsas e cobrir despesas da manutenção dos estudantes no exterior.

Segundo o ministério, todos os compromissados já assumidos com os bolsistas que estão no exterior estão assegurados, e eles não serão prejudicados pela mudança das regras do Ciência sem Fronteiras.

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