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Ombudsman diz que Folha 'errou e persistiu no erro' ao ocultar dados de pesquisa

24/07/2016 12:29 -03
ASSOCIATED PRESS
Brazil's acting President Michel Temer waves as he arrives for a meeting on economic measures with party leaders from the Lower House and Senate at Planalto presidential palace in Brasilia, Tuesday, May 24, 2016. Temer announced belt-tightening measures aimed at pulling Latin America’s largest economy from its worst crisis in decades, including taking back billions it loaned Brazil’s state-run investment bank, abolishing a fund created to channel oil revenues into education, sharply cutting public spending and negotiating reforms to the country’s pension system. Temer took over after President Dilma Rousseff was impeached earlier this month for allegedly using accounting tricks in managing the federal budget. (AP Photo/Eraldo Peres)

A ombusdman da Folha de S.Paulo, Paula Cesarino Costa, escreveu neste domingo (24) em sua coluna que o jornal “errou e persistiu no erro” ao publicar dados incompletos sobre pesquisa Datafolha de avaliação do governo do presidente interino, Michel Temer.

A pesquisa, divulgada no dia 16, foi alvo de críticas e acusada pelo site de notícias independente The Intercept de cometer “fraude jornalística” em relação à preferência do brasileiro sobre a permanência de Michel Temer, a volta da presidenta afastada Dilma Rousseff ou a realização de novas eleições.

Na publicação original, a Folha informou que 50% dos entrevistados preferiam a permanência de Temer à volta de Dilma, e que, diante dessa questão, 3% disseram defender novas eleições. No entanto, quando a possibilidade de novas eleições aparece entre as respostas estimuladas, o percentual de entrevistados que optam por essa alternativa chega a 62%, o que não foi dito pelo jornal.

A Folha só publicou a versão com esse percentual após as críticas e disse que não errou, mas que optou por não destacar cenário considerado “pouco relevante” pela direção do jornal. A ombudsman diz que sugeriu à redação “que reconhecesse seu erro editorial e destacasse os números ausentes da pesquisa em nova reportagem”.

“A meu ver, o jornal cometeu grave erro de avaliação. Não se preocupou em explorar os diversos pontos de vista que o material permitia, de modo a manter postura jornalística equidistante das paixões políticas. Tendo a chance de reparar o erro, encastelou-se na lógica da praxe e da suposta falta de apelo noticioso. A reação pouco transparente, lenta e de quase desprezo às falhas e omissões apontadas maculou a imagem da Folha e de seu instituto de pesquisas. A Folha errou e persistiu no erro”, escreveu a Paula Cesarino Costa na edição deste domingo.

Além da polêmica sobre o trecho da pesquisa que tratava de novas eleições, a ombudsman também critica a escolha do jornal de destacar na manchete sobre a pesquisa o otimismo com a economia, “subaproveitando temas políticos”.

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