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21/07/2016 13:12 -03

Ameaça terrorista: Presos no Brasil fizeram juramento ao Estado Islâmico

CHRISTOPHE SIMON via Getty Images
Brazilian marines disembark in Flamengo Beach, near the site that will host the sailing competitions of the Rio 2016 Olympic Games, during a drill in Rio de Janeiro, Brazil on july 19, 2016. / AFP / CHRISTOPHE SIMON (Photo credit should read CHRISTOPHE SIMON/AFP/Getty Images)

A Polícia Federal prendeu dez suspeitos de planejar ataque terrorista no Brasil, sendo dois ex-presidiários que cumpriram pena por assassinato. Ainda há dois mandados de prisão em aberto. O grupo monitorado é formado por cerca de 100 pessoas. Segundo o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, entre quatro e seis deles fizeram juramento ao Estado Islâmico.

Segundo o ministro, a célula não teve contato para financiamento com o Estado Islâmico.

"Num determinado momento, vários realizaram o batismo do Estado Islâmico. Até o momento, tudo o que foi investigado foi o único contato para o batismo. Não houve nenhum contato para financiamento. (…) Houve uma série de atos preparatórios. Uma hora o próprio grupo passou a entender que, em virtude das Olimpíadas, o Brasil podia se transformar em um alvo.”

Em uma das mensagens obtidas pela Polícia Federal, um dos suspeitos diz que queria procurar os locais onde o Estado Islâmico está presente, mas não tinha dinheiro para fazer a viagem.

Monitoramento

O grupo passou a ser monitorado em abril deste ano, mas os investigadores sentiram que a ameaça cresceu quando um dos investigados tentou comprar pela internet um fuzil AK 47.

O ministro não detalhou como seria o atentado, mas “pela conversa, seria a tiros.” Ainda com base nos diálogos monitorados pela polícia, alguns integrantes do grupo demonstraram interesse em aprender lutas marciais.

A Operação Hashtag foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (21), com 12 mandados de prisão, duas conduções coercitivas e 19 buscas e apreensão, nos estados de Amazonas, Ceará, Paraíba, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

O ministro não explicou como, mas a Polícia Federal monitorou as mensagens trocadas por meio de aplicativos como WhatsApp e Telegram. No início desta semana, o WhatsApp chegou a ficar fora do ar por não colaborar com investigações policiais. A empresa explica que não tem acesso ao conteúdo das mensagens enviadas porque elas são criptografadas, ou seja, elas chegam aos servidores ilegíveis e apenas o destinatário tem acesso ao que foi redigido.

Essas foram as primeiras prisões com base na lei antiterrorismo, sancionada em março.

‘Célula desorganizada’

O ministro descreveu a célula como “absolutamente amadora, sem nenhum preparo”.

“Era uma célula amadora, desorganizada; mas nenhum órgão de segurança pode ignorar fatos dessa natureza, por isso as prisões. Reitero que a segurança púbica é muito mais importante que a questão do terrorismo, mas não podemos ignorar mesmo identificando cada um. (…) A probabilidade de que haja ataque terrorista no Brasil é mínima, mas dentro da possibilidade vamos agir na maneira mais dura possível."

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