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Por Marcos Valério, Justiça suspende processo do mensalão do PSDB em Minas

20/07/2016 10:04 -03

psdb

Não vai ser desta vez que o chamado "mensalão mineiro" vai ser julgado. Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, a Justiça de Minas Gerais determinou a suspensão do andamento do processo no Tribunal de Justiça do Estado.

A decisão ocorreu após pedido da defesa do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, réu na ação e conhecido pelo processo que acabou condenando José Dirceu e outros políticos de primeiro escalão do então governo Luiz Inácio Lula da Silva.

A suspensão aconteceu porque, segundo a Justiça, para que o processo continuasse, seria necessário esperar decisão sobre pedido de delação premiada feito por Valério ao Ministério Público de Minas no processo sobre esquema de financiamento ilegal da campanha à reeleição do ex-governador tucano Eduardo Azeredo (PSDB) em 1998.

Por envolver políticos com foro privilegiado, o pedido de delação precisa ser aceito também pela Procuradoria-Geral da República, o que não tem data para ocorrer.

A suspensão ocorreu no dia 1.º de julho. Azeredo já foi condenado a 20 anos de prisão no mensalão mineiro em ação que tramitou separadamente. Valério cumpre pena no mensalão federal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Procuradoria-Geral

Em fevereiro de 2014, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a condenação de Azeredo, que à época era deputado federal, a 22 anos de prisão pelo seu envolvimento no desvio de ao menos R$ 3,5 milhões de estatais mineiras para o caixa 2 da campanha à reeleição do tucano ao governo de Minas em 1998. O parlamentar, no entanto, renunciou ao cargo de deputado e, pela perda de foro privilegiado, o processo foi enviado à primeira instância da Justiça estadual em Minas Gerais.

Segundo a denúncia, o desvio ocorreu por meio das empresas de publicidade de Marcos Valério Fernandes de Souza, que atualmente cumpre pena de 37 anos de prisão imposta no julgamento do mensalão do PT.

O tucano, segundo a acusação, utilizou recursos que iriam para eventos para abastecer caixa 2 de campanha. Na sentença, a juíza afirma ter sido criada "uma organização criminosa complexa, com divisão de tarefas aprofundada, de forma metódica e duradoura". A reportagem não conseguiu contato com o advogado do tucano.

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