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Rio de Janeiro tem um 'atentado de Nice' a cada 5 dias

18/07/2016 18:35 BRT | Atualizado 18/07/2016 18:35 BRT
ASSOCIATED PRESS
A member of the NGO Rio de Paz organize crosses and photos, placed in the sand during a protest on Copacabana beach, in Rio de Janeiro, Brazil, Tuesday, Dec. 9, 2014. 152 black wooden crosses were planted on the sands of Copacabana beach in memory of police officers killed in Rio de Janeiro state between 2013 and 2014. (AP Photo/Felipe Dana)

A cada 5 dias, o número de vítimas da violência no Rio de Janeiro bate o total de 84 mortos no atentado que aconteceu em Nice, na França, na última quinta-feira (14).

De janeiro a maio deste ano, o Estado do Rio registrou um total de 2.508 vítimas de homicídio doloso (quando há intenção de matar), latrocínio (roubo seguido de morte), auto de resistência e lesão seguida de morte, de acordo com levantamento do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro.

O índice é 13% maior que os 2.219 casos registrados no mesmo período do ano passado, e equivale a um total de 17 mortes por dia.

Apenas em maio deste ano, foram registradas 472 vítimas em decorrência de violência, 17,7% maior que o registrado em maio de 2015.

Assassinatos

A maioria dos casos é de homicídio doloso. Entre janeiro e maio deste ano, o Estado contabilizou 2.083 assassinatos. No ano passado foram 1.833. Só em maio foram 368. O índice que teve maior alta em maio de 2016 comparado a 2015 foi o dos autos de resistência, que quase dobrou. Pulou de 44 para 84.

“O Rio é assim”

Na semana passada, em audiência na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, minimizou a violência no estado.

"No momento em que você tem uma pessoa baleada, isso já causa preocupação. É uma vida, não tenha dúvida. Historicamente o Rio de Janeiro é assim. E acho que nós infelizmente já tivemos incidências maiores. Se você pegar aí, historicamente já tivemos incidências maiores. Mas, é algo que, na medida em que se colocar mais policiais na rua e tivermos cada vez mais operações de inteligência, a gente pode reduzir isso. Mas temos que avançar mais, não quer dizer que vamos resolver esse problema”, disse Beltrame aos deputados estaduais, segundo o G1.

No início da semana passada, quatro pessoas atingidas por balas perdidas em 48 horas, três das vítimas morreram. A única que sobreviveu foi uma menina de 11 anos.

Na noite de quinta-feira (14), uma mulher de 46 anos foi morta a facadas, em frente a filha de 7 anos. O crime ocorreu próximo a sede da Prefeitura e do Comitê Olímpico Internacional. O suspeito do assassinato é o ex-namorado da vítima que não quis aceitar o fim do relacionamento.

Na manhã de sábado (16), o Rio atingiu a marca de 61 policiais mortos.

A 18 dias das Olimpíadas, a situação da segurança no Rio é delicada. O Estado enfrenta até ameaça de paralisar investigações e perícias. De acordo com o Estado de S.Paulo, a Polícia Civil enviou ao Ministério Público um documento que relata falta de materiais básicos e equipamentos. A polícia precisa de R$ 14,5 milhões para cobrir as dívidas.

Em entrevista ao canal americano CNN, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, empurrou a culpa para o governo estadual. “(A segurança) é o assunto mais sério do Rio, e o Estado está fazendo um trabalho terrível, horrível. O governo está falhando completamente em seu trabalho de policiar e cuidar das pessoas”, afirmou.

Para ele, o que salva os jogos olímpicos é a presença do governo federal. "(Durante o Rio 2016) o Exército, a Marinha e todos estarão aqui. Ainda bem que o Estado não vai ser o responsável pela segurança durante esse período."

Tragédia em Nice

No último dia 14, um caminhão, dirigido por um cidadão francês de origem tunisiana, invadiu uma praça onde era comemorada a Queda da Bastilha. O ataque deixou 84 mortos e mais de 100 feridos.

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