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Novo chanceler britânico é um 'mentiroso pressionado contra parede', diz ministro francês

14/07/2016 09:52 BRT | Atualizado 14/07/2016 09:52 BRT
WPA Pool via Getty Images
LONDON, ENGLAND - JULY 14: British Foreign Secretary Boris Johnson addresses staff inside the Foreign Office on his first day as one of Prime Minister Theresa May's cabinet on July 14, 2016 in London, England. Prime Minister Theresa May will make further appointments today as she begins her first full day in Downing Street. (Photo by Andrew Matthews - WPA Pool/Getty Images)

O Reino Unido escolheu um mentiroso que está pressionado contra a parede ao indicar Boris Johnson como seu novo ministro das Relações Exteriores em um momento no qual é preciso alguém confiável nesse papel, disse o chanceler francês, Jean-Marc Ayrault, nesta quinta-feira (14).

Johnson foi bem-sucedido fazendo campanha para os britânicos romperem com a União Europeia no referendo do mês passado. Na França, um país-membro fundador da UE, ele é visto como uma peça fundamental da separação e do revés que esta representa para a integração europeia.

"Não estou nem um pouco preocupado com Boris Johnson, mas... durante a campanha ele mentiu muito para o povo britânico, e agora é ele quem está com as costas na parede", disse Ayrault à rádio Europe 1.

Não foi só o premiê francês que manifestou sua incredulidade com a escolha de Theresa May, nova premiê do Reino Unido, para um cargo tão estratégico.

O chanceler alemão também manifestou seu descontentamento com a escolha. Segundo Frank-Walter Steinmeier, Johnson é um "irresponsável". Nos EUA, a diplomacia prevaleceu, mas ficou claro que o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Mark Toner, se controlou (MUITO).

Quem passou de todos os limites - da zoeira e da diplomacia - foi o ex-premiê sueco Carl Bildt. "Eu gostaria que fosse uma brincadeira, mas temo que não seja", escreveu no Twitter.

Mas sejamos justos. Tony Abbott, ex-premiê da Austrália se manifestou positivamente a respeito da escolha. "Johnson é um bom amigo da Austrália", afirmou no Twitter.

Após a consulta popular de 23 de junho, Johnson desistiu da chance de concorrer a primeiro-ministro no lugar do conservador David Cameron, que renunciou depois de defender sem sucesso a permanência de seu país no bloco.

Johnson, porém, não estará a cargo das conversas sobre o procedimento de desfiliação britânica. May nomeou David Davis, ex-presidente do Partido Conservador e defensor da saída da UE, para um cargo ministerial especial para essa função.

Mesmo assim, Ayrault, geralmente moderado em seus comentários, emitiu um alerta contundente para o novo representante de política externa de seu vizinho próximo.

"(Ele está) pressionado contra a parede para defender seu país, mas também contra a parede no relacionamento com a Europa que precisa ser claro", disse Ayrault.

"Preciso de um parceiro com quem possa negociar e que seja claro, crível e confiável", acrescentou. "Não podemos deixar esta situação ambígua, incerta se arrastar... no interesses dos próprios britânicos".

A França e outros parceiros da UE exortaram o Reino Unido a iniciar rapidamente o processo de saída do bloco para que o período de conversas de dois anos sobre os termos comerciais e outros laços possa começar. May indicou que não pretende fazê-lo este ano.

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