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Demolir a casa de Hitler é uma solução 'eficiente' contra o culto ao nazismo?

13/07/2016 10:04 BRT | Atualizado 13/07/2016 10:04 BRT
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Dominic Ebenbichler / Reuters
A stone outside the house in which Adolf Hitler was born, with the inscription 'For peace, freedom and democracy, never again fascism, millions of dead are a warning', is pictured in the northern Austrian city of Braunau am Inn September 24, 2012. A suggestion to turn the Austrian house where Adolf Hitler was born into normal residential space has triggered a debate about how best to use an empty property still laden with historic baggage decades after World War Two ended. The man who became Nazi dictator was born in the house in Braunau on the Inn, a town near Salzburg on the German border, in April 1889. His family lived there only three years, but his link to the three-storey building has left an indelible mark. REUTERS/Dominic Ebenbichler/File Photo

Um projeto de lei foi apresentado nessa terça-feira pelo governo austríaco para desapropriar a casa onde o ditador nazista Adolf Hitler nasceu.

A proprietária sempre se recusou a vendê-la. A casa fica na pequena cidade de Braunau am inn, na fronteira com a Alemanha, é alugada pelo governo austríaco desde 1972, por um valor mensal de €4.800 (cerca de R$ 17.500) e está desocupado desde 2011.

O ministro do interior da Áustria, Wolfgang Sobotka, disse que a decisão é necessária para evitar que o local se torne um ponto de culto para neonazistas – o que já aconteceu no passado.

A melhor solução, segundo o ministro, seria demolir a casa, mas ela está localizada no centro histórico da cidade, que é tombado.

Outros defendem que o local vire um museu ou algo que tenha um efeito “despolitizador”, como um supermercado ou uma unidade do Corpo de Bombeiros. "Algum tipo de lugar onde ninguém quisesse ser fotografado em frente", explicou ao Guardian Gerhard Baumgartner, diretor do Centro de Documentação da Resistência Austríaca.

O vice-chanceler austríaco, Reinhold Mitterlehner, afirmou achar mais interessante implantar no imóvel um projeto com "valor educacional" como um museu, por exemplo.

A proposta de desapropriação será analisada pelo Parlamento e se aprovada, o que é esperado, uma comissão envolvendo governo, especialistas e a sociedade civil deverá decidir o que fazer com o imóvel.

Segundo a BBC, um número crescente de pessoas tem viajado para a cidade com o intuito de visitar a casa - ainda que ela não seja aberta para o público.

Os opositores da demolição argumentam que ela seria pouco eficaz, pois demoliria o imóvel, mas não os preocupantes ideais nazistas - provavelmente, o lugar seguiria sendo ponto de encontro, talvez denominado como "praça Hitler" ou "parque Hitler".

Nada na fachada faz referência a Hitler, que morou poucos meses na casa. O que lembra o passado inglório é, na verdade, uma mensagem de advertência inscrita numa rocha: “por paz, liberdade e democracia. Fascismo nunca mais.