MULHERES

Este vídeo de Serena Williams declamando um poema da ativista Maya Angelou vai te deixar arrepiado

12/07/2016 13:26 -03 | Atualizado 12/07/2016 13:26 -03

A tenista Serena Williams fez o mundo vibrar com um feito inédito no último sábado (9). Ela conquistou seu 22º título de Grand Slam, igualando o recorde da atleta alemã Steff Graff.

Também campeã olímpica e detentora de mais 13 títulos de Slam nas duplas com sua irmã (a também tenista Venus), Serena é sem dúvida uma das maiores atletas de todos os tempos.

Infelizmente, o talento e competência da norte-americana dentro das quadras não a imunizam de ofensas racistas e misóginas na internet.

Não é difícil encontrar nas redes sociais sujeitos que disparam sobre ela xingamentos como “macaca”, “deselegante”; que a chamem de “Serenão” ou ainda que critiquem seu porte físico.

No entanto, além de ser uma lenda vida do esporte, a atleta de 34 anos é também um ícone no que diz respeito à resiliência e auto-confiança. Em recente entrevista ao programa Good Morning América ela deixou isso bem claro:

“Sou eu. E eu me amo. Aprendi a me amar e fui assim durante toda a minha vida. Sou forte, poderosa e não tem nada de errado com isso.”

Essa postura resistente diante do preconceito e racismo alheios deu um significado especial a um vídeo publicado pela BBC no Facebook no final de semana (e que já soma mais de 1 milhão de visualizações).

No registro (assista no player acima), a tenista recita o tocante poema Ainda Assim me Levanto, da escritora e ativista Maya Angelou (1928-2014). O texto aborda a resistência que o negro tem (e necessita ter) para obter uma vida digna.

Leia o poema na íntegra (com tradução de Francesca Angiolillo):

Ainda Assim me Levanto

Você pode me inscrever na história

Com as mentiras amargas que contar

Você pode me arrastar no pó,

Ainda assim, como pó, vou me levantar

Minha elegância o perturba?

Por que você afunda no pesar?

Porque eu caminho como se eu tivesse

Petróleo jorrando na sala de estar

Assim como a lua ou o sol

Com a certeza das ondas no mar

Como se ergue a esperança

Ainda assim, vou me levantar

Você queria me ver abatida?

Cabeça baixa, olhar caído,

Ombros curvados como lágrimas,

Com a alma a gritar enfraquecida?

Minha altivez o ofende?

Não leve isso tão a mal

Só porque eu rio como se tivesse

Minas de ouro no quintal

Você pode me fuzilar com palavras

E me retalhar com seu olhar

Pode me matar com seu ódio

Ainda assim, como ar, vou me levantar

Minha sensualidade o agita

E você, surpreso, se admira

Ao me ver dançar como se tivesse

Diamantes na altura da virilha?

Das choças dessa história escandalosa

Eu me levanto

De um passado que se ancora doloroso

Eu me levanto

Sou um oceano negro, vasto e irrequieto

Indo e vindo contra as marés eu me elevo

Esquecendo noites de terror e medo

Eu me levanto

Numa luz incomumente clara de manhã cedo

Eu me levanto

Trazendo os dons dos meus antepassados

Eu sou o sonho e as esperanças dos escravos

Eu me levanto

Eu me levanto

Eu me levanto

Maya Angelou exerceu diversas atividades ao longo de sua vida.

Foi poetisa, escritora, ativista de direitos civis e historiadora. Foi também dançarina, cantora, motorista de ônibus e editora de uma revista no Cairo, no Egito, além de assistente administrativa em Gana e atriz.

Maya foi também amiga de alguns dos maiores líderes negros do século 20, incluindo James Baldwin, Martin Luther King Jr. e Malcolm X.

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