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Brasil é o país mais perigoso para homossexuais, diz NYT

05/07/2016 15:22 BRT | Atualizado 05/07/2016 15:22 BRT
STRINGER Brazil / Reuters
A reveller takes part in the 19th Gay Pride parade along Paulista Avenue in Sao Paulo, Brazil, June 7, 2015. the signs reads "Stop homophobia". REUTERS/Joao Castellano TEMPLATE OUT

O Brasil vive hoje uma epidemia de violência contra homossexuais que transformou o país no lugar mais perigoso do mundo para lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros. Essa é a conclusão de reportagem do jornal americano New York Times publicada nesta terça-feira (5).

Citando dados do grupo Gay Bahia, a publicação afirma que mais de 1.600 pessoas foram assassinadas no Brasil por motivações homofóbicas nos últimos quatro anos e meio – o que representa praticamente uma morte por dia.

Para o jornal americano, esses números contrastam com a “imagem de uma sociedade tolerante e aberta” de um país que “aparentemente alimenta expressões de liberdade sexual durante o carnaval e que tem a maior parada gay do mundo”.

Essa reputação, diz a publicação, não é sem fundamento. “Nas quase três décadas desde que a democracia tomou o lugar da ditadura militar, o governo brasileiro introduziu diversas leis e políticas com o objetivo de melhorar a vida das minorias sexuais”, diz o texto.

A reportagem cita que o Brasil foi um dos primeiros países a oferecer medicamentos antirretrovirais para diagnosticados com HIV, foi pioneiro na América Latina a reconhecer a união civil de pessoas do mesmo sexo para fins de imigração e um dos precursores a liberar a adoção de crianças por casais homoafetivos.

O ponto, segundo a publicação, é que as tradições sociais de alguns grupos não caminharam no mesmo ritmo dos avanços obtidos no sistema normativo.

A reportagem relaciona a violência contra gays com a cultura machista que ainda perpetua na sociedade brasileira e com o crescimento de alas evangélicas mais conservadoras, que se opõem abertamente ao público LGBT.

De acordo com o cientista político Javier Corrales, ouvido pela reportagem, os brasileiros até estariam mais tolerantes. O problema é que aqueles que se mantêm intolerantes estariam “desenvolvendo novas estratégias e um discurso mais virulento para barrar o progresso nessas questões”, afirmou.