ENTRETENIMENTO

Abbas Kiarostami, mestre do cinema iraniano pós-revolução, morre aos 76

04/07/2016 21:55 BRT | Atualizado 04/07/2016 21:55 BRT
Vincent Kessler / Reuters
Director Abbas Kiarostami speaks during a news conference for the film "Like Someone in Love" in competition at the 65th Cannes Film Festival, May 21, 2012. REUTERS/Vincent Kessler/File Photo

BEIRUTE (Reuters) - Abbas Kiarostami, o diretor que mostrou que o cinema iraniano é um dos mais envolventes emocionalmente e originais do mundo, morreu em Paris na segunda-feira (3), aos 76 anos de complicações relacionadas ao câncer, segundo a imprensa estatal iraniana.

Parte de uma nova onda do cinema iraniano, que começou na década de 1960 e ficou conhecida por histórias realistas voltadas para as vidas de pessoas comuns, Kiarostami foi um dos poucos cineastas a permanecer e prosperar no Irã após a Revolução Islâmica de 1979.

Apesar de temas iranianos muito locais, seus filmes atingiram o público global, e Kiarostami ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1997 por Gosto de Cereja, sobre um homem de meia idade iraniano que planeja cometer suicídio e sai à procura de alguém para enterrá-lo quando ele estiver morto.

"O que é peculiar sobre sua arte é que ele é tanto um artista enraizadamente iraniano em termos de sua paisagem, sua sensibilidade urbana, o seu cinema", disse Hamid Dabashi, professor de estudos iranianos na Universidade de Columbia, em Nova York.

"Mas ele também conseguiu elevar esses aspectos iranianas para momentos de universalidade."

O diretor norte-americano Martin Scorsese disse que "Kiarostami representa o mais alto nível de arte no cinema".

Nascido em Teerã em 1940, Kiarostami estudou na Escola de Belas Artes da Universidade de Teerã. Sua primeira incursão no vídeo foi fazendo comerciais para a TV iraniana.

Após a revolução de 1979 que derrubou a monarquia do Irã e marcou o início de um sistema islâmico de governo, Kiarostami escolheu ficar enquanto muitos artistas e escritores fugiram do país.

Seus próprios filmes, muitas vezes centrados em torno de crianças ou iranianos mais pobres que vivem em áreas rurais, nunca foram vistos como abertamente políticos, mas alguns dos roteiros que escreveu para seu protegido Jafar Panahi eram.

O filme de Panahi de 2003, Crimson Gold, um retrato tragicômico de um entregador de pizza humilhado por sua posição social humilde em Teerã, uma cidade dividida por classe e dinheiro, foi visto como crítico da República Islâmica e foi proibido no Irã.

Kiarostami deixa dois filhos, Ahmad e Bahman.

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