MULHERES

Educação é essencial para combater violência doméstica, diz primeiro-ministro

04/07/2016 11:25 BRT | Atualizado 04/07/2016 11:25 BRT
ASSOCIATED PRESS
An activist poses for a photo during a protest against rape and violence against women on Copacabana beach in Rio de Janeiro, Brazil, Monday, June 6, 2016. The protest organized by the governmental organization Rio de Paz, calls for an end to the violence against women weeks after the gang rape of a 16-year-old girl, a case that has rocked Latin America's largest nation and highlighted its endemic problem of violence against women.(AP Photo/Felipe Dana)

A educação, a formação e as melhorias das condições socioecônomicas das famílias são essenciais para o êxito de qualquer campanha de combate à violência contra a mulher no Timor-Leste, disse hoje (4) o primeiro-ministro timorense, Rui Araújo.

Ele comentou resultados - que considerou alarmantes - de um estudo recente da Asia Foundation, que indica que quase 60% das mulheres timorenses foram alvo de violência física ou sexual.

"Se a família, em termos econômicos, não tem condições para providenciar uma vida melhor aos seus membros, é muito fértil a violência e, até certo ponto, as pessoas pensam que essa violência tem razão de ser, baseando-se nas circunstâncias difíceis que a família enfrenta", explicou Araújo. Para ele:

"As pessoas sentem-se quase resignadas às circunstâncias difíceis em que vivem. E isso não pode ser mudado de um dia para outro. Tem a ver com a educação, o desenvolvimento socioeconômico de toda a sociedade e das famílias em si".

Apesar de se manifestar preocupado com os dados e de afirmar que o governo tem trabalhado para tentar solucionar o problema, o primeiro-ministro lembrou que é preciso considerar o contexto em que os dados foram recolhidos e a linguagem usada.

"Não estou questionando a validade da metodologia, mas é preciso ver melhor o contexto em que os dados foram recolhidos. Há uma questão muito importante, a da linguagem utilizada nesse tipo de pesquisa, que também faz diferença na interpretação", disse.

Entre os indicadores preocupantes do estudo estão os dados sobre a percepção que os timorenses têm dessa violência, já que dois terços das mulheres consideram que devem aguentar violência dos maridos para manter a família junta e 81% veem justificativa no fato de o companheiro lhes bater se não lhe obedecerem ou cumprirem bem as tarefas domésticas.

A maioria das mulheres (81%) e dos homens (79%) considera que um marido pode bater na mulher em determinadas circunstâncias, "como quando ela lhe desobedece, quando ela não completa satisfatoriamente o trabalho doméstico".

"Mudar isso é algo que só se conseguirá a médio e longo prazo. Não se muda do dia para a noite. Tem a ver com a educação, com a criação de condições para que as pessoas vivam realmente longe das circunstâncias em que se possam tornar violentos", afirmou.

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